COMPORTAMENTO · Sem categoria

Ano Novo. Por Elisa Yule

Ano Novo. Novos hábitos.

A velha máxima de que estamos ganhando mais tempo de vida e que no fim das contas, o que de fato importa é dar vida aos anos que conquistamos, continua valendo neste ano que mal começou.

Leonardo Boff, teólogo, certa vez disse:” Para as condições brasileiras, sou oficialmente velho. Não quero, porém, entender o ser velho meramente na ótica da biologia. Porque a velhice é muito mais que sua dimensão biológica… é a última etapa da vida, a chance derradeira que a vida nos oferece para continuar a crescer, chegar a madurar e, por fim, acabar de nascer”.

O IBGE mostra que o brasileiro está vivendo mais: em 1980 a estimativa de vida era de 62,5 anos, em 2014 passou para 74,9 anos. A cara da nossa população passa por uma transformação radical e rápida. Não significa que respeito e inclusão venham juntos.

Tudo muda. O olfato, a audição, o paladar, a força física, a paciência, o apetite, o mercado de trabalho, o lazer, as viagens, a disposição… Como compensar as perdas e saber aproveitar os ganhos? Como acompanhar as mudanças tecnológicas que fazem o mundo girar nos dias de hoje?

Mudar a idade mínima para aposentadoria visando aproveitar a mão de obra madura não muda nada se o preconceito não for eliminado.

Das tantas necessidades urgentes, desejamos que este seja um ano de desafios & oportunidades, que cresçamos a cada dia como seres humanos que somos, e sejamos capazes de ser a mudança por onde formos.

Anúncios
SAÚDE

QUEDAS. Por Andréia Sousa

Quedas são eventos frequentes em qualquer idade, mas quando pensamos nos idosos esses episódios são mais frequentes e uma queda pode levar a maiores riscos de lesões. Esses eventos e consequentemente suas lesões podem representar um problema de saúde pública e de grande impacto social. A queda é o mais frequente e sério acidente doméstico que ocorre com os idosos e a principal etiologia de morte acidental em pessoas acima de 65 anos e esse risco aumenta com o avançar da idade.

No Brasil cerca de 29% dos idosos caem ao menos uma vez ao e 13% caem de forma recorrente. E se pensarmos que os que já sofreram uma queda apresentam risco mais elevado para cair, entre 60% e 70% no ano seguinte.

Queda é uma mudança de posição não intencional e que faz com que indivíduo permaneça em um nível inferior do que se encontrava.

As quedas podem ser classificadas de acordo com sua frequência, sendo acidental ou recorrente; qual o tempo que o indivíduo permanece no chão e se houve ou não presença de lesões, sendo elas leves ou graves.

Os fatores de riscos podem ser classificados em três categorias: individuais; externos e comportamentais. Os fatores individuais são: história prévia de queda, idade, sexo feminino, condição clínica, medicação, alteração da marcha e equilíbrio, déficit visual e declínio cognitivo. Os fatores externos são: iluminação inadequada, tapetes soltos, superfícies escorregadias, obstáculos nos caminhos, ausência de corrimão, prateleiras altas ou muito baixas, sapatos e roupas inadequadas, degraus altos e estreito e via pública mal conservada. Os fatores comportamentais são: sedentarismo, uso de bebida alcoólica e uso de medicação por conta própria.

As complicações decorrentes das quedas representam um grande impacto na qualidade de vida dessa população. As possíveis consequências podem ser a diminuição da capacidade funcional, nível da atividade física, ferimentos, fraturas, declínio na qualidade de vida, dependência, isolamento social, depressão, aumento da mortalidade, gera alto custo com a saúde, incentiva ou antecipa a institucionalização, gera medo de cair e risco de morte.

Segundo dados do IBGE, no ano de 2030 terá o ponto mais alto dessa virada de perfil populacional, quando o número absoluto e o porcentual de brasileiros com 60 anos ou mais de idade vão ultrapassar o de crianças de 0 a 14 anos. Com o aumento dessa população devemos ter um olhar mais focado, com o envelhecimento são esperadas alterações fisiológicas, que podem ser fatores que predispõem as quedas. É de grande importância, com o objetivo de diminuir a morbidade e mortalidade, custos hospitalares e consequentemente institucionalização.

A prevenção de quedas compõe uma política pública indispensável e atualmente prevenir esse evento é apontado como uma boa conduta geriátrico e Gerontológica.

E o fisioterapeuta pode estar atuando nessa prevenção de quedas com exercícios com o objetivo que o indivíduo obtenha ou melhore sua flexibilidade, força muscular e equilíbrio. Orientando sobre calçados e roupas adequados, avaliando a necessidade de um dispositivo auxiliar de marcha e se for necessário, vai estar realizando o treino desse dispositivo em marcha e nas suas transferências. Se necessário, realizará uma consultoria no domicílio do idoso para orientar os riscos de quedas encontrados, para possíveis mudanças e adaptações.

SAÚDE

Terapia Ocupacional na Artrite Reumatóide. Por Andressa Chodur

A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença inflamatória articular de causa desconhecida, com evolução crônica, que acomete indivíduos de qualquer raça, com predominância do sexo feminino na proporção de 3:1.

Os principais sintomas são: dor, inchaço, rigidez e inflamação nas membranas sinoviais e nas estruturas articulares, com danos estruturais e emocionais. As pessoas portadoras de AR sofrem limitações para desenvolver suas atividades cotidianas e laborais.
O Terapeuta Ocupacional (TO) é o profissional responsável por auxiliar qualquer indivíduo a recuperar, desenvolver e construir habilidades importantes para a independência funcional. As atividades de vida diária, trabalho e lazer, comprometidas por conta das deformidades, são o objetivo principal do tratamento da Terapia Ocupacional. O tratamento inclui reabilitação funcional, adaptação do ambiente doméstico e trabalho, além de técnicas de proteção articular.

As técnicas de proteção articular podem ser definidas como um conjunto de estratégias que devem ser ensinadas e treinadas com o paciente para poupar suas articulações das cargas excessivas e desnecessárias, reduzindo a tensão e a dor nas articulações e, como consequência, auxiliando na redução da inflamação e preservando a integridades das estruturas articulares.

Clique neste link Artrite Reumatóide baixe gratuitamente uma cartilha de orientações, que vai ajudar o doente com AR a proteger suas articulações, prevenir deformidades, diminuir a dor, o edema e a rigidez matinal.

Atenção: se o paciente com AR já faz tratamento reumatológico, mas ainda assim enfrenta limitações nas atividades cotidianas e/ou apresenta deformidades articulares procure um Terapeuta Ocupacional para avaliá-lo e definir conduta de tratamento.

Material protegido conforme lei de direitos autorais. Lei 9.610, de 1998.
Drª Andressa Chodur
crefito 8956

COMPORTAMENTO · LIÇÃO DE VIDA · VIAGENS

FLORENÇA OU FIRENZE…(da série Europa aos 81 anos é para quem quer) por Walkíria Gayotto

FLORENÇA – ou Firenze ,( da série Europa aos 81 anos é para quem quer).

Ai que saudades do que eu achei o pedaço mais lindo da Itália , – a Toscana. E Florença é sua principal cidade.  Suas ruelas estreitas  e de pedra nos remetem a um tempo onde a vida era mais tranquila, mais gentil e bela. A cidade tem muitos encantos, que vão desde a sua paisagem e geografia até os atrativos turísticos, que são inúmeros.

E uma cidade fácil  de visitar para quem já não tem a agilidade de antes, e de todas as que visitei na Itália, foi a que mais gostei. È relativamente plana, e em um passeio  a pé você conhece muito dela. Foi a cidade onde minha mãe com seus 81 anos , andou mais e se cansou menos.

Nosso hotel era em um casarão de 800 anos, e daí vocês podem imaginar certas dificuldades, mas que, com a gentileza do gerente foram facilmente contornadas.  De inicio nosso quarto ficaria no andar superior, ( a bendita escada), mas explicando o quão cansativo seria para uma senhora idosa ( uma casa de 800 não tem elevador), o gerente nos apresentou 3 opções no térreo. O quarto escolhido era enorme , e com um detalhe que fez a diferença na escolha ,- dava para um jardim interno onde havia flores e pássaros ,para acordarmos já com muita energia.

Florença é uma das cidades europeias mais preservadas e você vai querer explorar cada lugar da capital Toscana, podendo aproveitar para tirar lindas fotos.

Como nosso hotel era localizado bem próximo a vários locais de interesse turístico, pudemos fazer muita coisa a pé, conhecendo as ruelas, becos e construções , uma mais linda que a outra, (peça um mapa no hotel).

Em se tratando de Florença, existem alguns lugares que já vem á mente, como a Basílica di Santa Maria del Fiore ou  Piazza del Duomo, (Praça da Catedral) , A Ponte Vecchio,  a Galleria degli Uffizi ,a Piazzale Michelangelo, o Mercato di San Lorenzo, Jardins Boboli , Palácio Pitti  e Palazzo Vecchio, o Museu Galileo, isso sem falar na gastronomia , nos vinhedos e nas “comprinhas”.

Nosso primeiro passeio foi um tour pela cidade toda, para vermos a quais locais queríamos dedicar mais tempo , e sugiro que façam o mesmo, pois em menos de 10 dias é impossível ver tudo. Nesse passeio fomos para a PIAZZALE MICHELANGELO , um lugar divino, no alto de uma colina, de onde se tem uma vista privilegiada de toda a cidade e do rio Arno que a corta. O fim de tarde lá foi inesquecível. No local , além de mirantes para você admirar a cidade, existem cafés, restaurantes, jardins, e lojinhas de souvenires. Foi o pôr do sol mais lindo que já vi. Imperdível.

O ponto seguinte foi a BASILICA DI SANTA MARIA DEL FIORE, – a Catedral de Florença ou Duomo de Florença. Levou séculos para ser construída e é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. O prédio é cheio de detalhes, uma obra da arte gótica que hoje é cartão-postal de Florença. Fica localizada no Centro Histórico,e em seu interior existem belos vitrais ,que nos remetem ao Velho e ao Novo Testamento. A entrada é gratuita. Este é outro local em que após a visita, vale a pena explorar seu entorno, onde tem vários cafés, gellaterias, restaurantes, exposições de artistas de rua. Sente-se com calma e desfrute .

Um passeio onde você pode visitar vários locais , por serem bem próximos  é a visita á PONTE VECCHIO,  GALERIA DEGLI UFFIZI, MUSEO DA VINCI , E GIARDINO BOBOLI, porém não conseguirá fazer tudo em um só dia.

A conhecida PONTE VECCHIO  é uma das pontes mais famosas da Europa ,e um dos principais pontos de Florença. Construída sobre o Rio Arno é de tirar o folego, com suas lojinhas de jóias( de deixar qualquer humano louco),  e sua construção diferenciada. È uma ponte semi-coberta, coisa comum na época , para aproveitar o espaço para o comércio. Em seu entorno estão diversas construções do século XVI. Além das lojas e da paisagem , muitos artistas de rua se apresentam todos os dias no local. A noite, sua iluminação refletida no Rio Arno dá um ar romântico e vários casais passeiam por ela, que como em Paris , mantem a lenda de que, se os casais prenderem um cadeado no gradil da estátua ali existente, ficarão juntos para sempre.

A pouca distancia fica a GALLERIA DEGLI UFFIZI ,( Galeria dos Ofícios), é o mais famoso museu de Florença, e uma das mais antigas galerias do mundo. È nela que se encontram obras famosas como O Nascimento de Vênus e a A Primavera de Botticelli, e  Davi, de Michelangelo . Se prepare para andar e para as filas enormes. Do lado de fora em um amplo pátio existem muitas estátuas de mestres famosos também. O passeio é lindo, mas cansativo. Vá de manhã. Bem próximo fica o Museu Galileo, um museu bem legal sobre o Galileu Galilei, mas não o visitamos.

Outro lugar gostoso de ir , é o MERCATO DI SAN LORENZO , uma rua fechada com uma feira, com várias barracas que vendem roupas, bolsas de couro e vários itens legais da Itália. Nessa mesma rua  você encontrará o Mercado Central de Florença, que é um lugar lindo e bom para comer. Sente-se um pouco e viva um tempinho como um florentino. No andar de baixo ficam várias lojas que vendem todo o tipo de especiaria e comida italiana.

E também na vizinhança, um dos jardins mais belos que vi, depois de Versalhes, IL GIARDINO DI BOBOLI , ou Jardins Boboli , que hoje é um parque dentro de Florença. Sua história é bem interessante, – o seu núcleo original data de  1550 aproximadamente, quando Luca Pitti comprou um terreno a sul do rio Arno (Oltrarno) da família Borgolo para construir um palácio ,O Palácio Pitti , que seria construído apenas quarenta anos mais tarde.  O paisagismo do jardim foi encomendado ao arquiteto dos Médici . No eixo principal do jardim existem avenidas, sebes, terraços adornados com estátuas e fontes que tornam o Boboli um autêntico museu a céu aberto, onde vários edifícios importantes ocupam parte dos jardins.  Um desses edifícios é o Anfiteatro , que foi colocada no jardim para permitir que se realizassem atuações teatrais .Outro  edifício existente  é o Casino del Cavaliere, um lugar de recreação dos Grão-Duques da Toscana e que agora abriga o Museu da Porcelana .O local está repleto de obras de arte , plantas raras, flores perfumadas. È para ficar uma tarde toda, passeando e desfrutando dessa beleza e paz. Imperdível , mas grande, preparo físico para conhecer tudo é indispensável, pois tem 45 mil m².

O PALAZZO PITTI é o maior palácio da cidade , foi construído pelo banqueiro Lucca Pitti ,sócio/rival dos Médicis. Um século após a sua construção, o Palazzo Pitti passou a ser propriedade dos Médicis . Com a extinção dos Médicis a Família Lorena passou a governar a Toscana e manteve sua residência no Palazzo Pitti. Quando Florença foi invadida por Napoleão , o Palazzo Pitti passou a ser residência de sua irmã, e na época em que Florença foi Capital da Itália foi a residência dos Savoia, até passar para o Estado . Isso demonstra sua importância na história italiana, e porque visita-lo. Suas salas são lotadas de quadros, seguindo o estilo barroco, e o teto é decorado com afrescos e estuques dourados. Lá estão obras de Rafael Sanzio, Michelangelo , Leonardo, Caravaggio, Tizziano, entre outros.  No primeiro andar do Palácio é possível visitar as salas usadas pelo segundo Rei da Itália, Umberto I e sua esposa Margherita di Savoia , com paredes revestidas de seda colorida, camas tipo dossel, quadros, vasos chineses e tapeçarias. No  térreo encontramos o museu das pratas, que também expõem objetos em marfim, ouro e pedras preciosas ,e no mezanino tem uma grande coleção de jóias da época dos Médicis até tempos atuais!

Mas a surpresa mais agradável foi FIESOLI. Descobrimos sem querer, por puro instinto de turismóloga. Quis saber o que circundava a cidade de Florença, e eis que surge esta pérola de  vilarejo. Fiesole é uma cidade de origem etrusca. Fundada no século IV a.C ,  daí podem imaginar o quanto é interessante. É uma ótima opção de passeio de um dia. Chega-se à ela com o ônibus comum, número 7, que leva cerca de 20 minutos da Praça San Marco em Firenze, até a Piazza Mino em Fiesole. O caminho até a cidade já faz valer a pena o passeio! Durante a subida você verá belíssimas paisagens da cidade e do campo! As casas, sempre em terrenos  muito grandes, tem em sua frente plantações de oliveiras. È tudo muito lindo, muito calmo, e bem conservado. Tem cerca de 14 mil habitantes, e  fica numa colina com 300m de altitude , e é esta altura que faz com que seja ainda mais linda. Lá de cima você vê Florença toda, e no percurso vai se encantar com os cantinhos desse lugar. Foi a cereja do bolo.

COMPORTAMENTO · GENTE QUE ENCANTA

AVÓS, ALGODÃO DOCE & NINHO… por Roberta França

Acho que o mundo seria de algodão doce se todos tivessem a oportunidade de ter e conviver com seus avós …

Avó tem cheiro de carinho…

Avó tem abraço que parece ninho…

Avó tem risada delícia…

Eu não consigo imaginar minha infância sem meus avós …

Ahhh era bom  demais  passar os finais de semana na casa da vovó Teresinha, do Vovô Valter e do Vovô Newton…

Cada um tinha um jeito especial de me fazer ser a pessoa mais especial do mundo inteirinho …

Vovó Teresinha me deixava fazer tudo… eu fazia seu cabelo, pintava seu rosto, fazia suas unhas… as vezes, uma de cada cor… e ela achava lindooooo…rssss

Ela fazia e ainda faz o melhor macarrão do mundo! E ela era dona da caixa de botões mais linda do universo. Eu achava a vovó muito rica! Porque só  alguém muito rico podia ter tantos botões como aqueles… grandes, pequenos , de pedra, de pano… eu amava aquela caixa de botão… vai entender…rsss

Vovô Valter era a música, seu inseparável violão chorava as músicas sartenejas de Milionário e José Rico, Tunico e Tinoco e Sérgio  Reis. Com ele aprendi a cantar Chico Mineiro e Menino da Porteira. Músicas que até hoje choro quando  ouço tocar.  Vovô Valter fazia a melhor pizza e pipoca do Universo! Nas tardes de domingo não havia criançada mais feliz que nós na casa do Vovô…

Vovô Newton era diversão. Ahhh poucas coisas na vida eram mais deliciosas que as gargalhadas do vô Newton! A gente se divertia demais com suas histórias e piadas. Vovô Newton era sensacional. Tinha tudo na casa do Vovô, ate galinheiro.  E quantas vezes chegamos lá e as galinhas  estavam amarradas,  de castigo, pra aprenderem a se comportar kkkkk… ohhh meu Deus… que saudade do Vovô… E as balas, doces, mariolas e chocolate que ele comprava e ia guardando pra quando a gente chegasse? Tudo com gostinho especial de naftalina, ele enchia nos armários pra não  deixar barata pegar…kkk e a gente comia assim mesmo … ninguém  morreu…

Pra mim casa de vó e vô é assim… tem cheiro de magia, gosto se alegria, vontade de nunca acabar…

Ate castigo de vo tem pipoca pra fazer o tempo passar…

Ahhh esse tempo podia sempre voltar…

Pra gente nunca esquecer  que ser criança  é poder viver a alegria de conviver com esses seres cheios de luz!

Acho que todo avô é anjo  que escondeu suas asas dentro do peito pra ter mais espaço pra gente abraçar .

Por Dra Roberta França

Medicina Geriátrica

De Corpo e Alma Integrando ciências alinhamento e constelação sistêmica dinâmica

www.cantinhodageriatria.com.br

COMPORTAMENTO · CRÔNICAS · LIÇÃO DE VIDA · SAÚDE · Sem categoria

TRABALHO VOLUNTÁRIO & INTERGERACIONALIDADE. Por Karina Pereira

Vamos falar sobre dois temas igualmente interessantes e espero que de grande auxílio para muitos leitores engajarem-se na causa! Por sua definição, trabalho voluntário é o conjunto de ações de interesse social e comunitário, realizado de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas ( art.º 2.º da Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro). Nesse sentido, dedica-se ao trabalho voluntário todo indivíduo que deseja de alguma forma transformar ou modificar realidades, contribuindo com total DOAÇÃO, a cenários sociais, de saúde e ambientais.

A minha experiência com trabalho voluntário aconteceu pela primeira vez em 2006, quando ainda no ensino médio fiz parte de um curso para atuar como mediadora de leitura de histórias infantis para crianças carentes em São Paulo. O projeto chamava-se “Mudando a História” e foi através dele que pela primeira vez tive a sensação mais gostosa do mundo: o altruísmo em sua essência. Mais do que conhecer creches e abrigos de regiões centrais e periféricas de São Paulo, o sentimento de poder contribuir com o meu tempo, com uma habilidade tão simples (a leitura, nesse caso) e gratuita, me gerou mais e mais motivação para novas ideias e perspectivas.

Foi então que no ano de 2007, no último ano do ensino médio, eu e um grupo de amigos decidimos fazer visitas programadas a uma instituição de longa permanência para idosos. O projeto não tinha nome, tampouco patrocínio. Saíamos da aula uma vez por semana com o objetivo de “fazer companhia” por algumas horas aos idosos residentes de uma casa de repouso. Lá trocávamos experiências, promovíamos “sessões de beleza”, pintando as unhas das idosas e auxiliando em seu auto-cuidado, jogávamos baralho e era um ambiente de troca muito enriquecedor. Desde aquela época, algo que me chamava muita atenção era a necessidade de organização sistemática tanto da gestão de tempo, como dos objetivos e metas, além do critério de seleção dos voluntários. Infelizmente muitas pessoas “voluntariavam-se” à princípio, motivadas pelas ideias e pelo desejo de ajudar, mas após alguns meses faltavam nas ações efetivas, o que gerava bastante ônus na abordagem em si. Sem muitos voluntários, as ações ficavam cada vez mais pontuais e sem sentido.

Alguns anos depois, já na Universidade, me inseri em outros dois grandes projetos voluntários que definitivamente foram fundamentais para refletir sobre uma prática mais embasada de voluntariado. Na JUS (Jornada Universitária da Saúde) organizávamos ações de promoção e educação em saúde em algumas cidades carentes do Município de São Paulo. Em paralelo à JUS, a convite de uma grande amiga estudante de enfermagem na época (a Cecília!), fiz parte do grupo de fundou e coordenou o Mad Alegria, projeto de humanização em saúde mediado pela figura do clown (para saber mais basta acessar www.madalegria.org.br).

O que todos esses projetos todos me ensinaram? Aprendi na prática (e na marra) a trabalhar com gestão de tempo, uma vez que muitas vezes precisamos trabalhar com prioridades e, infelizmente, há um desafio enorme quando “doamos nosso tempo” nos dias de hoje. Doar nosso tempo muitas vezes pode significar “ganhar menos dinheiro”, nessa rotina maluca e insana que vivemos para dar conta de pagar todas as nossas contas. Aprendi a lidar com preconceitos de pessoas que não entediam e desvalorizavam nossas ações, minimizando ações voluntárias ou colocando-as em segundo plano frente à projetos rentáveis em instituições.

Onde entra a intergeracionalidade? Sempre tive muita curiosidade em estudar os efeitos benéficos da mistura de gerações. Nesse sentido, neste ano, em meus primeiros meses vivendo em outro país, decidi me voluntariar em um Hospice na Irlanda e acompanhar a rotina dos idosos de lá. Me inseri em grupo com mais de 100 voluntários, todos com tarefas bem administradas e objetivas. Alguns meses depois, ainda bem insegura com a língua, mas com muitas ideias na cabeça, resolvi colocar no papel uma ideia que desse conta de trazer à tona todas as experiências anteriores que eu havia tido do trabalho voluntário, como um desafio de vida e de perspectiva empreendedora nesse cenário de transformação. Escrevi um projeto de Intergeracionalidade entre crianças e idosos mediada pela figura do clown. A ideia principal do projeto é levar crianças de creches de Dublin para conhecerem os idosos residentes de hospices e casas de repouso, promovendo empatia e trocas de experiências intergeracionais. Para estruturar a metologia do projeto, foram noites e noites acordada, buscando um método eficaz que pudesse trazer benefício para ambas as faixas etárias. O projeto tem três etapas: A primeira delas é a organização de um workshop com as crianças das creches, que escreverão cartas aos idosos contando sobre suas rotinas, seus aprendizados e vivências. A segunda etapa é um encontro com os idosos para a elaboração de cartas para as crianças, contando um pouco da perspectiva de como é ser idoso e viver em uma instituição de longa permanência. A terceira etapa é um encontro intergeracional, mediado pela figura do clown, em que as crianças trocam as cartas com os idosos, em um ambiente lúdico e humanizado.

As burocracias para fazer este projeto entrar em vigor aqui na Irlanda são enormes (e ainda bem, uma vez que fortalecem o caráter sério que as ações voluntárias ao redor do mundo visam promover). Além da necessidade de o projeto ser aceito pelas duas instituições (creche e asilo), o preenchimento de muitos formulários e comprovações, antecedentes criminais e total responsabilidade frente a essa iniciativa, são fundamentais para que o projeto entre em vigor. Sigo à espera dos muitos aceites que ainda preciso para colocar o projeto em vigor.

A maior experiência vivida em todos esses anos de voluntariado é a conclusão de que não precisamos na verdade de grandes talentos para doar nosso tempo e energia para ajudar o outro. Basta assumir um comportamento engajado e inovador para a promoção de mudanças. Sabe todos aqueles problemas coletivos que nos queixamos e que fazemos parte? Talvez seja ele o grande “insight” que precisamos para começar a mudança.

Neste dia 9 de dezembro, dia do fonoaudiólogo, nunca me senti tão grata pela minha profissão. Fico mais grata ainda por saber que, não importa qual a profissão que tenhamos escolhido exercer nessa vida, escolher a DOAÇÃO, como forma de retornar ao mundo esse grande presente que é viver, é um dos caminhos mais desafiadores e belos.

COMPORTAMENTO · SAÚDE

QUEM É MAIS VELHO TEM QUE TER CUIDADO REDOBRADO NO CALOR. Por Mariza Tavares

Vivemos num país tropical e o verão é brindado com a estação das férias e do divertimento. No entanto, o calor traz um risco extra para os idosos, cuja composição corporal tem menos água que a dos indivíduos mais jovens. Por isso é preciso redobrar os cuidados com a hidratação, como explica o geriatra Tarso Mosci, presidente Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seção RJ:

 

  

Quais os riscos que as temperaturas elevadas do verão representam para os idosos?

Doutor Tarso Mosci – A pele do idoso, por ser mais ressecada e menos resistente, tende a sofrer mais facilmente queimaduras ou fissuras, facilitando a perda de líquidos e a ocorrência de infecções. Também há o risco aumentado de neoplasias de pele relacionadas à exposição solar. Sob o ponto de vista de saúde global, o calor pode resultar em maior desgaste físico e desidratação, especialmente nos muito idosos e naqueles que possuem múltiplas doenças. Neste cenário, o sistema cardiocirculatório e renal pode entrar em colapso, existe um risco aumentado de quedas e necessidade de hospitalizações com maior frequência. E vale lembrar que muitos medicamentos podem ter seus efeitos potencializados pelo calor e desidratação, como os diuréticos, vasodilatadores e alguns remédios que atuam no sistema nervoso central.

Como protegê-los de uma hipertermia se normalmente os mais velhos sentem menos calor e acabam se agasalhando ou ficando em ambientes menos ventilados mesmo durante o verão?

      Doutor Tarso Mosci – A prevenção e a prudência são a chave do sucesso. Evitar a permanência prolongada em ambientes quentes ou pouco ventilados, reservar a prática de atividade física fora dos horários mais quentes e ingerir líquidos com frequência, independentemente da sede. Além disso, o uso de roupas leves, claras e com propriedades transpirantes pode oferecer algum alívio. Em alguns casos, monitorização mais rígida das doenças e seus tratamentos, com ajustes se necessário nas dosagens, pode ser uma estratégia valiosa. Muitos idosos evitam ambientes climatizados por acreditarem que estes provocam infecções respiratórias, fato sem comprovação científica. O uso conjunto de umidificador de ar pode amenizar o ressecamento das vias aéreas e aumentar a tolerância a esses ambientes climatizados.

 

Qual a importância da ingestão de líquidos para garantir o bem-estar e a saúde dos mais velhos? 

Doutor Tarso Mosci – O idoso tem menos água total do que o indivíduo mais jovem e, geralmente, percebe menos as variações na temperatura do ambiente, sente menos sede e tem perdas de água que são mais difíceis de contabilizar (como por exemplo doenças, medicamentos, transpiração e respiração). Manter-se bem hidratado é tarefa fundamental para o bom funcionamento de nosso organismo e é um desafio que exige disciplina. Quando hidratado, o idoso fica mais disposto e ágil, tanto do ponto de vista físico como mental, sua pele tem melhor aparência e resistência, seu intestino funciona com maior regularidade e a pressão arterial é mais estável. Portanto, os idosos devem alimentar-se regularmente, ingerir líquidos com frequência, evitar a permanência prolongada em ambientes quentes e pode ser útil rever a dose de algumas medicações.

Matéria publicado no Blog Longevidade: Modo de Usar