SAÚDE

Fruta ajuda a prevenir perda da visão relacionada ao envelhecimento

Uma fruta pode ajudar a prevenir a perda de visão relacionada com o envelhecimento. É isso que concluíram pesquisadores do Westmead Institute for Medical Research, afiliado à Universidade de Sidney, na Austrália, ao analisar o efeito do consumo de laranjas.

O estudo consistiu no acompanhamento de 2037 adultos com idades de 49 anos ou mais, ao longo de 15 anos. Reavaliados a cada cinco anos, os voluntários eram analisados para identificar se tinham ou não sido afetados pela degeneração macular relacionada à idade, que deixa a visão turva e pode levar à cegueira. Essa condição médica é considerada comum por especialistas. No Brasil, mais de 2 milhões de casos são registrados por ano. No mundo, a doença afeta 196 milhões de pessoas.

Outras pesquisas já mostraram os efeitos positivos para a prevenção da degeneração macular com o consumo de alimentos que tenham substâncias anti-inflamatórias e antioxidantes, assim como foram registrados os benefícios de substâncias específicas, como zeaxantina, luteína e as vitaminas A e C.

Como trata-se de uma condição crônica que não tem cura, os pesquisadores centraram esforços em pesquisas que ajudam a prevenir o seu desenvolvimento, relacionado com a idade. Por isso, o novo estudo avaliou o potencial dos flavonóides, substância bioativas que protegem frutas e plantas da oxidação. Eles podem ser encontrados em laranjas, maçãs, vinho tinto e nos chás.

A constatação dos pesquisadores foi de que as pessoas que consumiram regularmente, uma vez ao dia, uma porção de laranja apresentaram mais de 60% menos chances de desenvolver a degeneração macular em razão da idade.

Apesar de ser um levantamento com amostra significativa e avaliação de voluntários por mais de uma década, o estudo ainda pode estar aberto a inconsistências por conta dos relatos sobre alimentação a cada cinco anos, que podem não estar 100% corretos ou suas dietas podem simplesmente não ser tão regulares quanto foi reportado. Portanto, mais pesquisas científicas sobre o tema ainda são necessárias.

**O estudo foi publicado no The American Journal of Clinical Nutrition

Texto de https://exame.abril.com.br/autor/lucas-agrela

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COMPORTAMENTO · SAÚDE

Brasileiros não temem a morte, mas a dependência, mostra Datafolha

Aos 83 anos, a aposentada Linete de Lima Machado cuida da casa sozinha. Há dois meses, virou também cuidadora do marido, de 85 anos, que levou um tombo. “Sinto-me cansada, mas ainda bem. Meu maior medo é ficar dependente, numa cama.”

Linete não está sozinha. A maioria dos brasileiros não teme a morte ou a velhice, mas tem pavor de se tornar dependente física, mental ou financeiramente, mostra pesquisa inédita do Instituto Datafolha.

Foram ouvidos 2.732 brasileiros com 16 anos ou mais sobre assuntos como saúde, sociedade, família e finanças. O levantamento, realizado em todas as regiões do país, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Dos entrevistados, 84% têm medo de depender fisicamente de alguém, 83% temem a dependência mental e 78%, a financeira. Mulheres são mais medrosas que homens: 87% a 81%, 86% a 79% e 81% a 75%, respectivamente.

O temor faz sentido. Um estudo da USP, que corrobora pesquisas internacionais, demonstrou que os paulistanos estão vivendo mais, porém em piores condições.

Em dez anos, a taxa de incapacidade por doenças em São Paulo cresceu 78,5% entre os homens e 39,2% entre as mulheres acima de 60 anos. Entre 2000 e 2010, essa população ganhou, em média, dois anos a mais de expectativa de vida, mas perdeu até três de vida saudável.

O estudo usou dados do Sabe, um projeto da Faculdade de Saúde Pública da USP que acompanha diferentes gerações de idosos na capital paulista desde 2000.

“Há uma perda de capacidades em todas as faixas etárias, especialmente entre as mulheres. Elas desenvolvem mais doenças articulares, motivadas, muitas vezes, pela obesidade”, diz Yeda Duarte, professora associada da USP e coordenadora do Sabe.

Uma outra pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard, que comparou as condições de saúde em 187 países no mesmo período, observou tendência semelhante. A expectativa de vida cresceu, em média, cinco anos, mas pelo menos um ano foi de vida com incapacidade.

O geriatra Alessandro Campolina, autor do estudo brasileiro, fez também projeções sobre o impacto das doenças que mais afetam os idosos. “Se a hipertensão e o diabetes fossem controlados, os homens ganhariam até seis anos de expectativa de vida livre de incapacidade”, diz.

Doenças mentais, articulares e as quedas são outros fatores importantes de incapacidade. Juntas elas respondem por quase 70% da carga de enfermidades dos idosos.

Segundo Yeda Duarte, em geral, primeiro ocorrem as perdas instrumentais Ða pessoa perde a capacidade de lidar com dinheiro ou de manter a casa limpa, por exemplo.

Depois, vêm as básicas, como tomar banho ou comer sozinho. “Antes, os idosos ficavam com essas limitações mais tarde. Agora, devido ao sedentarismo e à obesidade, isso tem acontecido mais cedo, às vezes, na faixa dos 60 anos.”

O problema, diz Yeda, é que o país não tem políticas voltadas para a prevenção dessas incapacidade. “Nem no setor público nem no privado”, observa a geriatra Maisa Kairalla, presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Ela lembra, porém, que as pessoas também têm que assumir a responsabilidade pela sua própria saúde. “A gente não muda a genética, mas podemos mudar hábitos de vida e entender os ônus e os bônus das nossas escolhas.”

VELHICE

No total, 71% dos brasileiros não temem a velhice e 74% não têm medo da morte. Os homens são os mais destemidos em ambos os temas: 76% contra 67% delas e 79% contra 69%, respectivamente.

Na média, os brasileiros querem viver até os 89 anos de idade, resposta que se mantém constante em todas as faixas etárias.

A faixa dos que têm mais de 60 anos é a que menos tem medo da velhice e da morte (80% nos dois casos). E aqui de novo os homens são mais destemidos (83% contra 78% para velhice, 84% contra 74% para a morte). O ápice dos que têm muito medo da velhice acontece dos 35 aos 44 anos: 11% deles dão essa resposta. Já em relação ao medo de morrer, ele decresce com a idade, de 67% de destemidos entre os mais novos até 80% entre os mais idosos.

“É natural que as pessoas tenham medo menor de algo que elas já têm certeza [a morte] e temam mais aquilo que está incerto. Sei que vou morrer, mas não sei se ficarei inválido, pobre, dependendo de outras pessoas”, diz o geriatra Douglas Crispim, médico assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Os brasileiros com curso superior são os mais apavorados: 13% dizem ter muito medo da velhice. Os mais ricos são ainda mais medrosos: 19% dos que ganham acima de 10 salários mínimos (no total da população) têm muito medo de envelhecer, contra 9% entre os que ganham menos de 5 salários mínimos. Os brasileiros mais ricos têm também menos medo de morrer: 17%, contra 26% dos mais pobres.

FINANCEIRA

Das três dependências, a financeira é a que apresenta maior queda quando se olham os mais velhos: 69% dos idosos temem depender de alguém financeiramente, contra 78% dos mais jovens. O pico é aos 35-44 anos, no qual 82% assumem o temor.

O medo, entre os idosos, de ficar dependente física ou mentalmente chega a 83% entre mulheres.

“O sistema público de saúde caótico e os planos cada vez mais caros fazem com que muita gente que vive do seu trabalho corra o risco de ficar sem um meio de sobrevivência se perder o emprego ou se tornar inválido”, diz Crispim.

CLÁUDIA COLLUCCI

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

Jornal Folha de São Paulo- caderno equilíbrio e saúde

COMPORTAMENTO · CRÔNICAS

PARA VIVER MELHOR. POR BRUNO PITANGA

Pra viver melhor, não se preocupe, *se ocupe.* Ocupe seu tempo, ocupe seu espaço, ocupe sua mente. Não se desespere, *espere.* Espere a poeira baixar, espere o tempo passar, espere a raiva desmanchar. Não se indisponha, *disponha.* Disponha boas palavras, disponha boas vibrações, disponha sempre. Não se canse, *descanse.* Descanse sua mente, descanse suas pernas, descanse de tudo. Não menospreze, *preze.* Preze por qualidade, preze por valores, preze por virtudes. Não se incomode, *acomode.* Acomode seu corpo, acomode seu espirito, acomode sua vida. Não desconfie, *confie.* Confie no seu sexto sentido, confie em você, confie em Deus. Não se torture, *ature.* Ature com paciência, ature com resignação, ature com tolerância. Não pressione, *impressione.* Impressione pela humildade, impressione pela simplicidade, impressione pela elegância. Não crie discórdia, *crie concórdia.* Concórdia entre nações, concórdia entre pessoas, concórdia pessoal. Não maltrate, *trate bem.* Trate bem as pessoas, trate bem os animais, trate bem o planeta. Não se sobrecarregue, *recarregue.* Recarregue suas forças, recarregue sua coragem, recarregue sua esperança. Não atrapalhe, *trabalhe.* Trabalhe sua humanidade, trabalhe suas frustrações, trabalhe suas virtudes. Não conspire, *inspire.* Inspire pessoas, inspire talentos, inspire saúde. Não se apavore, *ore.* Ore a Deus! Somente assim viveremos dias melhores.

Texto de autoria de Bruno Pitanga, Doutor em neuroimunologia, neurocientista, professor universitário e palestrante:

COMPORTAMENTO

O COMPASSO – A CORTESIA. Por. Israel Belo de Azevedo

Podemos agir com dureza, mas podemos nos portar de modo compreensivo.

Podemos reagir de modo grosseiro, mas podemos nos apresentar com suavidade.

Os que põem o foco apenas nos objetivos atropelam as pessoas, embora dizendo que elas são a razão das suas realizações.

Podemos ser claros e, ao mesmo tempo, amáveis.

Podemos ser firmes e, ao mesmo tempo, corteses.

Podemos falar o que precisamos, desde que aveludemos as nossas palavras.

Podemos fazer o que nos cabe e podemos ser respeitados pela dedicação com que fazemos, não pela ferocidade de nossos olhares.

Podemos arrolar muitos sinônimos para a cortesia, mas o melhor significado vem das lembranças grudadas em nós : o garçom que participa decentemente da escolha do cardápio, a vendedora que se impõe pelos gestos gentis, o transeunte que ensina o caminho com prazer, a professora que presta atenção em nossas habilidades, o médico que nos olha com ternura e nos anima mesmo com diagnóstico difícil, o guarda de trânsito que adverte com polidez, a vizinha que compartilha o que recebe.

Precisamos de atenção e podemos ser atenciosos.

Precisamos de respeito e podemos ser respeitosos.

Precisamos de palavras que inspiram e podemos proferi-las.

Não gostamos daqueles que, numa conversa ou num serviço nos despacham, como se fôssemos pesos. Não despachemos.

Ser cortês deveria ser o alvo de todos. Nossas vidas serão melhores se formos compreensivos, suaves, amáveis, leves, respeitosos, dedicados, doces, gentis, carinhosos, atenciosos, ternos, polidos, generosos, inspiradores.

A cortesia – este jeito bonito de ser – pode não ser a forma predileta de muitos, mas deve ser a nossa.

COMPORTAMENTO

Cerca de 40% dos idosos que vivem em São Paulo nunca foram ao teatro

Uma pesquisa no estado de São Paulo mostra que tem muita gente que nunca foi ao teatro e nunca foi ao cinema.  E principalmente, mostrou esse estudo, que são as pessoas da terceira idade que estão deixando de aproveitar o teatro, o cinema. Tanta opção boa que tem em São Paulo.

A explicação, infelizmente, é triste. Muitos idosos não têm dinheiro para ir a cinema, shows. E por problemas de locomoção e acesso não conseguem chegar aos locais com programa de graça.

Mais de 8 mil paulistas foram ouvidos na pesquisa que faz um retrato dos hábitos culturais do estado.

O que você faz no seu tempo livre? Se diverte?

“Sempre procuramos, pelo menos duas vezes por mês ir ao cinema”, diz uma mulher.

“Ir ao cinema, ao teatro”, diz uma jovem.

Cinema é a resposta de 75% dos paulistas de 12 a 24 anos. Também é o programa mais popular para 62% entre os que têm de 25 a 34 anos.

“É o que me inspira e me faz viver também”, diz outra jovem.

E o que esses jovens e adultos menos fazem é assistir a espetáculos de dança e concertos.

Falta de informação para poder despertar para um mundo novo, diz o administrador de empresas Paulo Eduardo Rocha Santos, de 30 anos.

Quanto menos escolaridade, menor o interesse por atividades culturais. Um exemplo disso são as pessoas que nunca pisaram numa sala de cinema. Na nova classe média, isso é realidade para 14% das pessoas com formação superior e para 22% dos que fizeram só o ensino fundamental.

A pesquisa ouviu 8 mil moradores de 21 cidades do estado de São Paulo com mais de 100 mil habitantes. Nessas cidades, vive metade da população do estado.

A pesquisa também deu atenção especial a um outro público: o idoso. E constatou que esse grupo é o grande excluído cultural. Para se ter uma ideia, de cada 10 deles, quatro chegaram à terceira idade sem nunca ter visto uma peça de teatro.

“Eu costumo ir com a minha filha. Quando a minha filha compra a entrada e me convida eu aproveito e vou”, diz a aposentada Encarnação Ribas Cinquini, de  89 anos.

“Eu acho a dificuldade de locomoção. Eu acho o preço, o custo… porque o idoso normalmente não tem tantas posses, não é todo mundo que tem”, afirma a aposentada Celia Marisa Cinquin.

Esse produtor cultural concorda. E acha que o pessoal da terceira idade merece curtir mais essa fase da vida.

Se a gente está prorrogando a vida e as pessoas vão poder chegar aos 70,  80 anos e, daqui a pouco, aos 90 anos com uma saúde boa, uma saúde razoável, a gente imaginaria que elas iriam justamente poder aproveitar de tantas coisas que a gente muitas vezes não pode fazer porque está ocupado, está trabalhando, diz o produtor cultural José Luiz Goldfarb.

Além de revelar os setores que ainda precisam de mais ações culturais, a pesquisa também traz algumas curiosidades.

Por exemplo, Chico e Ana Paula, vocês arriscariam dizer qual é o tipo de música preferido do paulistano? Vou dar uma dica: “nestes versos tão singelos minha bela, meu amor, pra você quero contar o meu sofrer e a minha dor”.

É “Tristeza do Zeca”.

COMPORTAMENTO

ENCURTANDO DISTÂNCIAS Por Israel Belo de Azevedo

Mesmo quando passamos a ver a vida sem cor, sabemos que ela é colorida.

Mesmo que nos vejamos como indignos da admiração alheia, sabemos que temos virtudes de sobra.

Mesmo que os fantasmas nos habitem e nos atemorizem, sabemos que eles não existem.

Mesmo que uma ideia boa nos entusiasme, nem sempre ela produz resultados práticos em nossas experiências.

Mesmo que saibamos que determinado comportamento deva ser adotado, nem sempre o tornamos parte de nós.

Mesmo que cantemos sobre o amor, nem sempre estamos amando.

Mesmo quando dizemos querer abandonar um vicio, nem sempre o deixamos ao longo da nossa caminhada.

Dois palmos, nesses casos, nos separam: a distância entre a caminhada e o coração.

Esses dois palmos são a distância entre a felicidade e a infelicidade, entre a serenidade e o desespero, entre a paz e a angústia.

Precisamos encurtar essa distância. O coração precisa subir. O que está na mente precisa descer.

Os dois precisam se aproximar.

A teoria precisa dar as mãos à prática.

O discurso precisa se realizar na realidade das coisas.

A certeza afirmada pelos lábios precisa estar na palma das mãos.

A fé precisa ser forte para não sucumbir sob a avalanche da insegurança.

É com a esperança que canta no cérebro que os passos precisam ser dados. Unidos, mesmo em suas diferenças – necessárias diferenças – cérebro e coração atravessarão perigos, rechaçarão adversários, vencerão obstáculos, empreenderão sonhos, descortinarão amanhãs.

Cérebro e coração precisam afinar o modo como veem a vida, para que ela valha a pena.

COMPORTAMENTO

Clientes idosos têm dinheiro, mas não recebem atenção. Por Luciana Casemiro

População acima de 60 anos passa dos 30 milhões, mas mercado ignora suas necessidades e desejos

RIO – Eles já são mais de 30 milhões, têm a maior renda mensal entre os ocupados de todas as faixa etárias do país, R$ 2.815, contra a média geral de R$ 2.080, segundo dados do IBGE. Apesar disso, brasileiros com 60 anos ou mais se sentem excluídos ou maltratados pelo mercado. Segundo especialistas, a falta de adequação de comércio e serviços para esse público é fruto de desconhecimento e preconceito. Estudo realizado com os cinco maiores institutos de pesquisa do país, feito pela publicitária Ana Gabriela Sturzenegger Michelin, mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP, revela que nenhum deles ouve a opinião de quem tem mais de 55 anos.

— E não há previsão de revisão dessa prática. Ao conversar com gestores de grandes empresas de diferentes áreas, como telecomunicações, alimento, beleza e turismo, eles admitem que há Entre 2012 e 2017, a fatia da população brasileira com mais de 60 anos cresceu cerca de 15%. O incremento da parcela com mais de 80 anos foi ainda maior, 21%. Bem disposta, conectada e antenada, Tiana Simplício, professora aposentada, de 85 anos, é uma das representantes desse público que sente os reflexos de uma sociedade despreparada para lidar com o idoso. Um repórter do GLOBO acompanhou a professora, na última quarta-feira, pelas agitadas calçadas da Praça Saens Peña. Ela foi sucessivas vezes empurrada por andar mais devagar. Recentemente, numa loja de roupas, Tiana diz ter percebido o conflito entre gerações:

— Só tínhamos eu e mais uma outra mulher na fila. Ela era bonita, jovem e loira e estava conversando sobre vários assuntos com a caixa. Era sorriso para cá e para lá. Quando chegou a minha vez, a operadora foi bem ríspida.

Tiana também precisa observar se no local há acessibilidade:

— Aprendi que a gente precisa respeitar os limites do nosso corpo — disse, ao optar por entrar na farmácia usando a rampa.

Segundo Fátima Lemos, assessora técnica do Procon-SP, atendimento e infraestrutura adequados estão entre as queixas mais comuns dos idosos:

— Esse público necessita de um atendimento pessoal, de mais tempo e design adequado de produtos. São consumidores mais vulneráveis e que sofrem diversos abusos nas relações de consumo, desde práticas inadequadas das instituições financeiras até as vendas no varejo.

Foco do varejo ainda é o jovem

O médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC Br), afirma que os brasileiros com 50 anos ou mais concentram, hoje, cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que corresponde a R$ 1,6 trilhão.

– São pessoas com poder de compra e de influência, mas que são ignoradas por puro preconceito. Em 2050, o Brasil vai ser uma grande Copacabana, com cerca de 30% de idosos. As empresas que quiserem fazer dinheiro têm que atrair os idosos. Serviço, tecnologia e design têm que responder ao envelhecimento da população. O atendimento hoje discrimina.

Para Antonio Carlos Pipponzi, presidente do Conselho do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV) e do Conselho de Administração do grupo RaiaDrogasil, as farmácias saíram na frente quando se fala em adequação do atendimento. Segundo ele, o setor hoje valoriza o relacionamento com o idoso. O varejo, de forma geral, admite, está focado no jovem:

— O mercado é muito competitivo e, cada vez mais, o idoso é parte importante, naturalmente, esse movimento de adaptação vai acontecer e vai para além de rampa de acesso e atendimento preferencial.

Nice Cavalcanti, de 85 anos, queixa-se do que se considera básico: o atendimento prioritário:

— Vou muito a mercado, principalmente aos domingos. Reclamei com um gerente, e ele me disse que, no domingo, “quem chegar primeiro é que vai”. Acho que os funcionários deveriam ser treinados a prestar atenção nisso. E quase não vejo prioridade especial para quem tem mais de 80 anos.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) não respondeu às perguntas sobre como o setor se prepara para atender ao idoso. Já Lenício Barbosa, diretor de Operação dos Supermercados Guanabara, conta que sempre foi alta a fatia de pessoas acima dos 70 anos na rede:

— Os idosos são um público muito leal. O atendimento precisa ser diferenciado, pois o idoso faz as compras com calma, no tempo dele e como se fosse lazer. Esse público precisa se sentir acolhido. Encartes e cartazes sempre aparecem com letras grandes, os corredores são largos para facilitar a passagem, e as unidades têm esteiras para os carrinhos de compra. Algumas já oferecem até motos elétricas a quem tem mobilidade reduzida.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também disse não desenvolver qualquer política setorial para atender aos idosos. Para o caso de concessão de crédito, no entanto, a federação criou uma cartilha voltada para essa faixa etária. Com três milhões de clientes com mais de 60 anos, o Itaú diz ter desenvolvido um app simplificado com foco nas necessidades desse público.

— Cuidamos desde a quantidade de palavras por tela até o fato de termos botões maiores para facilitar o toque. Nas agências, há pessoas para auxiliar esse público, inclusive para o uso da tecnologia — diz Wagner Sanches, diretor executivo do Itaú.

Cerca de 21% do total de correntistas do Banco do Brasil têm 60 anos ou mais, diz Rodrigo Vasconcelos, gerente executivo da Diretoria de Clientes Pessoa Física do Banco do Brasil.

— Hoje, um dos maiores desafios do BB é oferecer o melhor atendimento nos seus diferentes canais. A presença física continua importante, principalmente, para esse público da melhor idade. Atualmente, do total de clientes com mais de 60 anos, cerca de 15% podem ser considerados como digitais — explica Vasconcelos.

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A Caixa também identifica as agências com atendimento prioritário para os idosos e acrescenta que há orientação para que o cliente entenda a segurança das transações remotas. Já o Bradesco informa que cerca de 82% dos dez mil beneficiários do INSS da sua base de clientes usam autoatendimento, app e Internet Banking.

Procuradas, Apple e Samsung, empresas que trabalham com produtos de alta tecnologia, desafiadores para os idosos, não se pronunciaram. O SindiTelebrasil, que representa as operadoras de telefonia, disse não haver discussão setorial sobre os idosos. Entre as grandes operadoras, só a Vivo respondeu. Diante do crescimento significativo do mercado de 60 anos ou mais, a empresa oferece, desde o fim do ano passado, um workshop para a terceira idade, que aborda de conceitos básicos de tecnologia até a orientação sobre o melhor uso de redes sociais e aplicativos.

Em 2017, realizamos uma pesquisa de mercado com foco no público sênior. É um segmento cada vez mais conectado e que não usa todos os recursos e possibilidades que a tecnologia permite por falta de informação — ressaltou Fernando Rheingantz, diretor da Vivo.