CINEMA · COMPORTAMENTO

VAN GOGH INSPIRA FILME 100% FEITO COM TINTA A ÓLEO * 

Após ler mais de 800 cartas escritas por Vincent van Gogh (1853-1890), a polonesa Dorota Kobiela levou ao pé da letra o último texto do pintor, que diz: “Não podemos falar senão por meio das nossas pinturas”.
Kobiela e Hugh Welchman criaram a primeira animação feita totalmente com tintas a óleo. Foram necessários 125 profissionais para pintar manualmente 65 mil quadros. O resultado é o filme “Com Amor, Van Gogh”, exibido na Mostra.
A animação conta a vida e a controversa morte de Van Gogh por meio de entrevistas com personagens próximos ao artista e que foram retratados em suas obras.
O processo envolveu uma gravação com atores, como Douglas Booth e Saoirse Ronan. Depois, cada “frame” do vídeo recebeu uma pintura a óleo, ao estilo do holandês. Para executar esse projeto, com um trabalho manual em cada um dos quadros, foi necessário um processo seletivo para montar uma equipe de pintores.
Piotr Dominak, responsável pelas pinturas no longa, analisou mais de 5.000 portfolios. Somente 130 candidatos foram chamados para fazer cursos intensivos (sobre a técnica da pintura de Van Gogh e sobre animação), e apenas cinco não ficaram para o trabalho final.
Segundo a diretora, a maior dificuldade foi manter os mais de cem pintores no mesmo caminho para que seguissem um estilo único, e não o deles. “Tive de corrigir mais de 500 quadros por dia”, diz à Folha.Na época em que leu as cartas, Kobiela passava por um período de frustração.
“Queria fazer um trabalho próprio e pensava em criar séries de pinturas ou escrever o roteiro de um filme. Resolvi combinar os dois.”
AMOR FORA DA TELA
O projeto se concretizou quando Kobiela conheceu Hugh Welchman, britânico que já tinha levado o Oscar com o curta “Pedro e o Lobo”, em 2008, e estava na Polônia para produzir uma animação sobre Chopin.Os dois acabaram se apaixonando. “Ele obviamente ficou interessado não só em mim, mas também nas coisas em que eu estava trabalhando”, diz a diretora.
Para ela, desenvolver o filme foi como montar um quebra-cabeças gigante em que faltavam peças. “Ao ter que casar o roteiro com as obras escolhidas, mantendo fidelidade aos fatos da vida do pintor, não dava muito espaço para manobras.”
O filme, que deve ser lançado comercialmente no Brasil em novembro, saiu do papel após mais de dois anos de testes e discussões.Só depois de encontrar os primeiros financiadores e parceiros é que se pôde dar início ao projeto. O custo total foi de US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 18 milhões).

*materia publicado no jornal Folha de São Paulo, em 28/10/17, caderno ilustrada, por Arthur Cagliari

COM AMOR, VAN GOGH

(LOVING VINCENT)

DIREÇÃO Dorota Kobiela e Hugh Welchman

ELENCO Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Eleanor Tomlison

PRODUÇÃO Polônia, Reino Unido, 2017, 12 anos

MOSTRA sáb. (28) e dom; (29), às 21h40, no Espaço Itaú Frei Caneca; seg. (30), às 14h, no Playarte Splendor Paulista; ter. (31), às 22h45, no Cinesesc; qua. (1º), às 21h, no Espaço Itaú Frei Caneca 

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