DICA DE LEITURA

QUERER QUERENDO. LÉO CUNHA

A muda queria mudar

Não o mundo, mas a vida.

Queria enganar o silêncio que lhe esganava e garganta.

Queria encolher a dor de não escolher as palavras.

Queria desemudecer.

Sonhava encantar o dia,

Molhar as tardes de poesia,

Mesclar o canto da noite com doces melodias.

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DICA DE LEITURA · Sem categoria

Pressay

Engraxei meu sapatos vermelhos,

Na esperança de que brilhassem

tanto, mas tanto…

Que lá o do alto, Deus me visse

E em meio ao caos, me ouvisse.

Saí pro burburinho,

Segurando alma e bolsa.

No meio do caminho,

Tinha pressa.

Finalmente no Metrô,

Ansiosa por um livro,

Fantasias vivi, quando um olhar

Terno e de terno, me envolveu.

Por polidez, me sorriu.

Por timidez, me encolhi.

No meio do caminho,

Perdi a pressa.

DICA DE LEITURA

O Apanhador no Campo de Centeio: por que ler a obra prima de J.D. Salinger? Por Amanda Leonardi

Publicado em 1951, o romance O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger, tornou-se um clássico da literatura americana. O livro conta sobre a vida de um jovem de dezessete anos chamado Holden Caulfield, que vive em Nova York, já foi expulso de várias escolas, não consegue ter interesse em nenhuma das matérias da escola e é de certa forma bem rebelde e um pouco inocente ao mesmo tempo. Alguns podem julgá-lo imaturo por suas atitudes inocentes, ou talvez pela aparente ausência de praticidade em seus ideais, mas Holden Caulfield é, na verdade, apenas um jovem que não consegue encontrar seu lugar no mundo principalmente por discordar da forma superficial como todos lhe parecem.

O livro é narrado em primeira pessoa, portanto, pode-se praticamente ouvir os pensamentos de Holden Caulfield ao passo em que se avança a leitura do romance. O jovem conta não sua vida toda, mas um período desde que foi expulso de sua última escola e passou por uma série de acontecimentos que o fizeram crescer e compreender melhor o mundo e a si mesmo. O romance começa com Holden já dizendo que tudo que será narrado foram fatos que ocorreram há um ano – ele tinha dezesseis quando os vivenciou e nos conta já com dezessete, depois de ter sido internado em uma instituição de reabilitação.

Resumindo, é um romance que trata de crescimento, sim, mas não é para adolescentes, como alguns poderiam julgar pelo fato de o protagonista ser um adolescente. É um livro que trata de questões existenciais como encontrar sua identidade no mundo, de autoconhecimento, de uma busca por algum significado na vida. Ou seja, é um livro para todos.

O estilo do romance de Salinger é altamente inovador: nele não temos um narrador em terceira pessoa ou um simples narrador em primeira pessoa nos contado as coisas como elas ocorreram de forma cronológica e objetiva – temos um narrador em primeira pessoa realmente de dezessete anos, que realmente representa o protagonista, nos contando sobre sua vida de forma pessoal e muitas vezes subjetiva, com uma linguagem que um adolescente usaria de fato. O texto é marcado pela constante presença de gírias típicas da época em que o livro foi escrito – entre as décadas de 40 e 50. Porém, não é somente a presença das gírias que torna o vocabulário jovial e vívido: o texto flui de uma forma natural, soa como os pensamentos de um jovem, sem nenhuma construção forçada, nenhuma frase de efeito mais rebuscada. O que não significa que o romance não tenha frases marcantes e um estilo literário único – praticamente lírico em algumas partes, pois Holden é sensível, inocente (apesar de rebelde e desregrado), vê o mundo de uma forma muito única, o que o torna extremamente carismático.

Salinger conseguiu construir o personagem de forma tão detalhada que quase parece que Holden é real: o jovem tem um estilo próprio de pensar e falar, tem manias próprias, tem uma história de vida que, apesar de não contada de forma cronológica, nos é mostrada com um recorte sabiamente construído, nos revelando importantes partes do passado do personagem através de suas memórias. E principalmente: o psicológico de Holden Caulfield é muito bem desenvolvido.

Ele não é um personagem plano, somente bom ou somente mal, certou ou errado, não é um estereótipo, ele é um adolescente que é ao mesmo tempo inocente, sensível e rebelde, sem rumo, sem um lugar na sociedade. Holden não é apenas um retrato fixo, pintado com palavras imóveis, ele é um ser humano construído com as palavras de Salinger, com uma grande profundidade psicológica que vai além da superfície limitada de muitos personagens. Ele é praticamente uma pessoa que nasceu na literatura, um personagem altamente vívido, cujos pensamentos e ações são justificados por sua personalidade.

Portanto, utilizando de uma linguagem leve, praticamente coloquial, para construir a mente de um jovem, Salinger inovou, escrevendo uma obra única que definitivamente marcou época e influenciou gerações. A importância da obra é tanta que não se limita à literatura: chega à cultura popular em geral, sendo muito comentada em filmes, músicas, e até teorias concspiratórias, como foi o caso do assassino de John Lennon. O homem disse ter lido O Apanhador no Campo de Centeio e isso o influenciou a assassinar um ser humano. Obviamente, o homem não compreendeu bem a significado dessa profunda obra de Salinger.

O que nos leva a pensar o que pode haver de tão significativo nesse romance, para chegar ao ponto de que, se mal compreendido, pode chegar a causar um impacto tão forte no raciocínio de uma pessoa – não que possa transformar alguém em um assassino, mas pode causar diferentes impactos em diferentes pessoas. Entretanto, se bem compreendido, pode mudar a forma de pensar de quem o lê, libertando o leitor e não o levando à prisão.

O Apanhador no Campo de Centeio é um clássico da literatura americana, leitura exigida em muitos colégios americanos, estudado em cursos de literatura por todo o mundo. Por que tantos estudos sobre um livro que narra os pensamentos de um adolescente perdido? Porque muitos se identificam com o protagonista, seja por também estarem perdidos, sem lugar na sociedade, sem nenhum rumo planejado, seja por serem contra a superficialidade que Holden tanto odeia ou porque em algum lugar dentro de cada um ainda haja algo da inocência que Holden tanto sonha em preservar, salvando as crianças de caírem do campo e centeio.

Dito isso, ainda há mil motivos porquê um ser humano precisa ler O Apanhador no Campo de Centeio. E talvez ler não seja, ainda, a palavra certa: o correto seria dizer que todo bom leitor – ou ser humano com qualquer questionamento sobre si mesmo ou o mundo onde vive – precisa saborear a obra prima de Salinger, prender-se a cada palavra, compreendendo ao todo o significado deste clássico. Ou os significados, pois todo bom clássico há de ter diferentes possibilidades de interpretação e este não é uma exceção neste ponto.

Fato é que uma interpretação feita por uma mente inclinada a atos homicidas pode até tentar utilizar a revolta de Holden como filosofia própria para defender seus crimes, como fez o assassino de John Lennon e outros dois assassinos. Isso demonstra, não que o livro pode tornar alguém um assassino, mas que pode ter um impacto muito forte que, dependendo da linha de raciocínio do leitor, pode voltar-se em diferentes direções. No caso acima citado, não foi na melhor direção possível e, com certeza, não aquela pretendida por Salinger ao escrever o livro.

O Apanhador no Campo de Centeio é um romance altamente subjetivo, cujo significado acaba sendo muito pessoal para cada leitor, talvez isso tenha ocasionado o fato de um assassino dizer que se identificou com Holden Caulfield e por isso cometeu um crime. O fato é que as buscas de Holden por si mesmo pela cidade de Nova York representam a busca dele em si mesmo, o que todos conseguem se identificar se não se sentem confortáveis no mundo onde vivem. Esse é um livro capaz de fazer o leitor sentir que pertence a este mundo, que existem mais pessoas tão perdidas quanto ele, como Holden.

O romance é capaz de despertar no leitor um pouco de apanhador no campo de centeio realmente, algo desse sentimento do protagonista que é inerte a todo ser humano, porém muitos ficam cegos com a superficialidade do mundo “adulto” – o mundo cheio de ordem e ambições imposto aos adultos – e acabam achando Holden inocente demais, alguns até chegam a julgá-lo imaturo. Porém, conceitos de maturidade ou imaturidade não são realmente o ponto mais importante do livro.

É, sim, uma trajetória de crescimento, mas não em direção a idade adulta apenas, em direção a si mesmo, em direção a se conhecer e aceitar-se como indivíduo, como ser humano, e não se contentar a ser só mais um adulto vazio em uma sociedade superficial. Mas Holden Caulfield também não é perfeito, ele não é um jovem sonhador, inocente, uma espécie de Peter Pan adolescente, embora o seu desejo de salvar as crianças do mundo adulto de certa forma o assemelhe ao personagem da literatura infantil. Holden é um jovem que está crescendo, está se tornando adulto, portanto, apesar de odiar o mundo superficial destes, ele não é um menino inocente: Holden mente, adora mentir até sobre o próprio nome, ele mata aulas, briga com colegas, é expulso de escolas, mente para os pais.

Sintetizando tudo isso: Holden Caulfield é um adolescente de carne e osso, que tem princípios e defeitos. O mais interessante nesta obra é exatamente isso – como o protagonista consegue ter uma personalidade ao mesmo tempo tão puxada para dois extremos, o lado inocente e o lado rebelde, e isso ter uma verossimilhança tão grande. Porém, vendo por outro ponto de vista, tal fusão de extremos faz muito sentido de fato: a sociedade que o cerca é fria, cega, presa a correntes que os mantém no nível aceitável socialmente, para aparentar que são felizes, apesar de, por trás das máscaras, serem todos insatisfeitos, presos a eles mesmos, acomodados em sua queda. Todos que seguem as regras da sociedade superficial têm um lugar nesta, mesmo que seja em uma queda, eles têm um mapa de suas mentes, por isso parecem – talvez realmente sejam – tão vazios como Holden os vê.

Já Holden é o contrário de tudo isso, o que não quer dizer que ele também não se sinta em queda, preso também de alguma forma. Tanto é que o jovem realmente reclama de tudo e de todos, e são poucas coisas, geralmente coisas simples, pouco notadas pela maioria, que o agradam. Mas Holden deseja a liberdade, e a encontra em coisas bem simples como ser capaz de observar o lago congelado e divagar a respeito do destino dos patos, para onde eles vão quando o lago congela? – imagina Holden. Tal divagação do protagonista pode ser um símbolo para o seu temor de para onde vai a inocência, a essência do ser humano quando sua alma congela. O jovem Holden é um símbolo da quebra do adolescente com o mundo adulto, da tentativa de construir um mundo novo com a nova geração, de uma tentativa de salvar o futuro, de impedir que as crianças caiam do campo de centeio e se tornem também adultos frios, vazios, consumistas e superficiais.

Por isso todos precisam ler e reler O Apanhador no Campo de Centeio, para lembrar de Phoebe no carrossel, aos dez anos de idade, dizendo que está muito velha para isso mas se divertindo como se tivesse seis anos. Para lembrar que não precisamos deixar de ser nós mesmos depois dos vinte, dos trinta, dos quarenta, ou até dos oitenta anos. Para lembrar que não é preciso, na verdade, se preocupar tanto com a queda do campo de centeio, pois o próprio protagonista acaba por compreender como é possível sobreviver a tal queda. Esse é um livro que pode ajudar o leitor a se encontrar, caso esteja perdido, que pode fazer refletir sobre como se caiu do cmapo de centeio e porquê – e o mais importante: como sobreviveu a tal queda.

E se nenhum dos motivos já citados neste artigo fizerem sentido para algum leitor, ainda assim a leitura do livro é tão acolhedora que os pensamentos do jovem Holden é praticamente uma forma de se sentir em casa. O personagem de Salinger é tão vívido e carismático que muitas vezes parece que suas palavras não estão somente escritas no papel, mas gravadas na alma de quem o lê. Ler esse livro é como conversar com Holden, é como conversar com Salinger. Porque Salinger é um daqueles autores que dá vontade de, depois de terminar de ler um livro seu, tê-lo como um grande amigo para poder ligar e conversar a hora que quiser, como Holden diz que ocorre, raramente, com alguns autores.

“What really knocks me out is a book that, when you’re all done reading it, you wish the author that wrote it was a terrific friend of yours and you could call him up on the phone whenever you felt like it. That doesn’t happen much, though.”

― J.D. SalingerThe Catcher in the Rye

COMPORTAMENTO · DICA DE LEITURA

O espetáculo da imaginação chinesa.                    por Ronaldo Lemos

Em tempos de crise, um dos grandes riscos é a perda da capacidade de imaginação. Crises produzem pessoas neuróticas, que por sua vez, desenvolvem a chamada “visão em túnel”, só conseguindo enxergar o que está imediatamente à sua frente. Mais do que isso, prisioneiras de visões simplistas da realidade e reféns de sentimentos primais, como raiva e medo. Incapazes de transformar desafios em oportunidades, como no ideograma chinês.Um excelente antídoto para a falta de imaginação vem, aliás, diretamente da China. Trata-se do impressionante livro de ficção científica “A Floresta Negra” (The Dark Forest), escrito por Liu Cixin.
Cixin, vale lembrar, já foi chamado de “o Arthur C. Clark” da China e já recebeu o prêmio Hugo, considerado o Nobel da ficção científica (o primeiro asiático a vencer a honraria). Antes de se tornar escritor, trabalhou como engenheiro em uma usina termoelétrica.
A “Floresta Negra” é um espetáculo de imaginação. É a segunda parte de uma trilogia que teve início com “O Problema dos Três Corpos”, sobre o qual já escrevi aqui na coluna. Sua trama é justamente sobre a maior crise que a humanidade poderia viver: a iminência da destruição total por causa da invasão de uma civilização tecnologicamente mais avançada, que por sua vez está condenada à extinção por orbitar um sistema solar composto por três diferentes sóis.
O livro concentra-se especificamente na dimensão política dessa situação. Que estratégias a humanidade deve adotar para sobreviver?
Como lidar com o derrotismo e a neurose típicas de qualquer crise (inclusive a brasileira)? Mais ainda: como lidar com a parcela da população que passa a desejar a invasão, isto é, que as forças militares extraterrestres assumam logo o planeta, já que humanidade teria sido incapaz de resolver seus problemas por conta própria (talvez a forma mais perversa de derrotismo)?
É com essa premissa que Cixin constrói as bases para sua “cosmopolítica”, esquadrinhando as difíceis decisões que a descoberta de outra civilização imporia à humanidade. A questão tem similaridade com a détente nuclear. Por exemplo, a possibilidade de aniquilação mútua funcionaria para impedir um conflito cósmico?
Semelhanças com o embate atual entre EUA e Coreia do Norte não serão mera coincidência.
A obra de Cixin é também uma crônica do momento atual da China. Após sobreviver a mútuas crises ao longo de mais de um século, o país conseguiu saltar da pobreza agrária para se tornar o celeiro industrial do planeta.
A fase mais recente, que vem se desdobrando nos últimos anos, é o país se convertendo em potência de inovação tecnológica.
Para isso acontecer, a China apostou em ciência e tecnologia, com foco e planejamento. O fato de produzir hoje a melhor ficção científica do planeta não é um acaso. É a cereja que coroa um bolo forjado pela conjugação entre ciência e capacidade de imaginação. Dois elementos que estão em falta no Brasil atual.
Texto publicado em 23/10/17, pelo jornal Filha de São Paulo, na coluna de Ronaldo Lemos

COMPORTAMENTO · DICA DE LEITURA · LIÇÃO DE VIDA

PARTICULARIDADES GERAIS.                       por Elisa Yule

Na minha casa, tenho um mundo muito particular, repleto de livros e histórias, confinado ao meu escritório. Confesso que não é incomum me perguntarem se eu já li tudo aquilo, mas a surpresa maior vem quando respondo que quase todos! Apesar do Kindle ter roubado alguns exemplares da prateleira, sempre que posso, apareço com outros tantos.Quando mais nova, por muito tempo, quis morar em uma biblioteca e trabalhar em uma livraria. Sempre fui muito tímida e a maior parte de meu tempo, eu passei em companhia de livros que me levaram a lugares e aventuras incríveis, daqueles que a gente sente falta quando termina de ler. Nesse meu mundo, tenho incontáveis amigos e carimbos no passaporte.

Mesmo que hoje o tempo me seja escasso, sempre arranjo um pretexto para folhear algum livro, fato é que, me inscrevi para participar de um clube de leitura onde mensalmente as pessoas se reúnem para comentar suas experiências junto à obra do mês. Coisa fantástica é perceber quão diferente a mesma mensagem chega para diferentes pessoas, com suas diferentes bagagens e estilos de vida. Só aí, daria para escrever uns bons livros.

Como sou muito curiosa, estou sempre inventando moda e me matriculando em cursos e palestras sobre os temas mais diversos, mesmo que eu nada saiba sobre o assunto. É num desses momentos que me pego fazendo uma aula imaginária ao tratar daquele tema, no lugar da pessoa que o está fazendo, incluindo isso ou aquilo e excluindo x e y. Penso que nas reuniões literárias, todos fazem o mesmo ao tentar identificar o foco do autor e dar um toque pessoal, ao recontar a experiência.

Ler sempre foi meu lazer preferido e hoje com tantas obrigações e distrações, acabo muitas vezes adiando uma leitura há muito desejada. Me dei conta disso, quando durante a reunião mensal de leitura, a mediadora trouxe o assunto à baila, lembrando-se que sempre gostou muito de ler, mas atualmente se via lendo menos em detrimento do trabalho, da família, de outros vícios (Netflix, por exemplo).

E de repente a vida está lá: passando, levando a gente de arrasto e deixando uma lista de coisas que gostaríamos de ter feito e deixamos para um amanhã que sempre se torna outro amanhã. Então nos pegamos ouvindo alguém contar a experiencia fantástica, ou não, que teve com o livro do fulano de tal e nem sabíamos da existência deste e de muitos outros. A coisa mais valiosa que temos é o tempo e é justamente ele que está em falta na vida de todo mundo.

Visto ser impossível acrescentar mais horas nos nossos dias, só nos resta escolher agora como usar este parco recurso. Para tanto, proponho que coloquemos em prática nossa lista de vontades e sonhos como gênero de primeira necessidade e de realização inadiável. Como uma audiência a qual não podemos nem devemos nos omitir.

Que possamos ser nossa melhor companhia, nosso melhor incentivo, nossa melhor criação. E que assim sendo, possamos ver o mundo por outros olhos, sem deixar para amanhã o que devemos fazer hoje: SER FELIZ!

COMPORTAMENTO · DICA DE LEITURA · VIAGENS

FESTA LITERÁRIA DE PARATY.        por Elisa Yule

Entre os dias 26 e 30 de Julho, a nova edição da Feira Literária invade Paraty. A edição deste ano homenageia o escritor Lima Barreto, mas são as mulheres que estão protagonizando o evento.

Confira aqui três ótimas dicas de escritoras que compõem a mesa da festa:

1. Nossa Senhora do Nilo – de Scholastique Mukasonga – a escritora de Ruanda escreve sobre uma escola só de meninas em meio aos conflitos entre as etnias Tutsis e Hutus.

2. Esse cabelo – de Djaimilia Pereira de Almeida – essa angolana que cresceu em Lisboa, narra sua vida.

3. Jamais o fogo Nunca – Diamela Eltit – a escritora chilena conta a história de um sobrevivente do regime militar de seu país.

COMPORTAMENTO · DICA DE LEITURA

HIBISCO ROXO.             por Elisa Yule

Protagonista e narradora de ‘Hibisco roxo’, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente ‘branca’ e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro.