DICA DE LEITURA · Sem categoria

Pressay

Engraxei meu sapatos vermelhos,

Na esperança de que brilhassem

tanto, mas tanto…

Que lá o do alto, Deus me visse

E em meio ao caos, me ouvisse.

Saí pro burburinho,

Segurando alma e bolsa.

No meio do caminho,

Tinha pressa.

Finalmente no Metrô,

Ansiosa por um livro,

Fantasias vivi, quando um olhar

Terno e de terno, me envolveu.

Por polidez, me sorriu.

Por timidez, me encolhi.

No meio do caminho,

Perdi a pressa.

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COMPORTAMENTO · CRÔNICAS · Sem categoria

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ? por Elisa Yule

A historiadora, Bárbara Grizzutti Harrison, ao escrever os ensaios chamados de Out of the garden: Women writers on the Bible, disse que:” Quando Eva mordeu a maçã, nos deu o mundo tal como o conhecemos – belo, com defeitos e perigos, cheio de vida…nos deu a varíola, as guerras, a vacina contra a pólio, o trigo e as flores.Essa atitude de curiosidade radical, também nos deu o desejo, o apetite e a fome.

Já parou para pensar que se não fosse Eva, não nos perguntaríamos o que comeríamos no jantar? Se não fosse ela, não teríamos um apetite insaciável por novidades, uma fome de criar e descobrir coisas.?

A grande maioria da população chega a fazer cerca de três refeições ao dia (pelo menos), o que não significa saciedade…mas em tempos tão proclamados de vida saudável e corpos malhados, nem sempre podemos nos permitir exageros, por isso, nos policiamos – e não controlamos apenas nossa fome de comida, mas policiamos relacionamentos, carreiras, posts…empurrando os desejos bem para o fundo do eu, como se uma forte determinação conseguisse mantê-los só como desejos.

Nossas almas conhecem muitos tipos diferentes de FOME: física, psíquica, emocional, criativa, afetiva e espiritual e a lista segue…Fomos dotados de razão, imaginação, curiosidade e discernimento; possuímos a capacidade de distinguir qual fome sentimos. Agora mesmo, você tem fome de um biscoito ou fome de uma pausa? Anseio por beijos apaixonados ou uma boa noite de sono?

Em tempos tão áridos, penso que a fome maior é de amor, de calor, de compaixão…de paz!

Sendo assim, que tal nos unirmos e não desprezarmos esse desejo?

COMPORTAMENTO · Sem categoria

Ano Novo. Por Elisa Yule

Ano Novo. Novos hábitos.

A velha máxima de que estamos ganhando mais tempo de vida e que no fim das contas, o que de fato importa é dar vida aos anos que conquistamos, continua valendo neste ano que mal começou.

Leonardo Boff, teólogo, certa vez disse:” Para as condições brasileiras, sou oficialmente velho. Não quero, porém, entender o ser velho meramente na ótica da biologia. Porque a velhice é muito mais que sua dimensão biológica… é a última etapa da vida, a chance derradeira que a vida nos oferece para continuar a crescer, chegar a madurar e, por fim, acabar de nascer”.

O IBGE mostra que o brasileiro está vivendo mais: em 1980 a estimativa de vida era de 62,5 anos, em 2014 passou para 74,9 anos. A cara da nossa população passa por uma transformação radical e rápida. Não significa que respeito e inclusão venham juntos.

Tudo muda. O olfato, a audição, o paladar, a força física, a paciência, o apetite, o mercado de trabalho, o lazer, as viagens, a disposição… Como compensar as perdas e saber aproveitar os ganhos? Como acompanhar as mudanças tecnológicas que fazem o mundo girar nos dias de hoje?

Mudar a idade mínima para aposentadoria visando aproveitar a mão de obra madura não muda nada se o preconceito não for eliminado.

Das tantas necessidades urgentes, desejamos que este seja um ano de desafios & oportunidades, que cresçamos a cada dia como seres humanos que somos, e sejamos capazes de ser a mudança por onde formos.

COMPORTAMENTO · CRÔNICAS · LIÇÃO DE VIDA · SAÚDE · Sem categoria

TRABALHO VOLUNTÁRIO & INTERGERACIONALIDADE. Por Karina Pereira

Vamos falar sobre dois temas igualmente interessantes e espero que de grande auxílio para muitos leitores engajarem-se na causa! Por sua definição, trabalho voluntário é o conjunto de ações de interesse social e comunitário, realizado de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas ( art.º 2.º da Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro). Nesse sentido, dedica-se ao trabalho voluntário todo indivíduo que deseja de alguma forma transformar ou modificar realidades, contribuindo com total DOAÇÃO, a cenários sociais, de saúde e ambientais.

A minha experiência com trabalho voluntário aconteceu pela primeira vez em 2006, quando ainda no ensino médio fiz parte de um curso para atuar como mediadora de leitura de histórias infantis para crianças carentes em São Paulo. O projeto chamava-se “Mudando a História” e foi através dele que pela primeira vez tive a sensação mais gostosa do mundo: o altruísmo em sua essência. Mais do que conhecer creches e abrigos de regiões centrais e periféricas de São Paulo, o sentimento de poder contribuir com o meu tempo, com uma habilidade tão simples (a leitura, nesse caso) e gratuita, me gerou mais e mais motivação para novas ideias e perspectivas.

Foi então que no ano de 2007, no último ano do ensino médio, eu e um grupo de amigos decidimos fazer visitas programadas a uma instituição de longa permanência para idosos. O projeto não tinha nome, tampouco patrocínio. Saíamos da aula uma vez por semana com o objetivo de “fazer companhia” por algumas horas aos idosos residentes de uma casa de repouso. Lá trocávamos experiências, promovíamos “sessões de beleza”, pintando as unhas das idosas e auxiliando em seu auto-cuidado, jogávamos baralho e era um ambiente de troca muito enriquecedor. Desde aquela época, algo que me chamava muita atenção era a necessidade de organização sistemática tanto da gestão de tempo, como dos objetivos e metas, além do critério de seleção dos voluntários. Infelizmente muitas pessoas “voluntariavam-se” à princípio, motivadas pelas ideias e pelo desejo de ajudar, mas após alguns meses faltavam nas ações efetivas, o que gerava bastante ônus na abordagem em si. Sem muitos voluntários, as ações ficavam cada vez mais pontuais e sem sentido.

Alguns anos depois, já na Universidade, me inseri em outros dois grandes projetos voluntários que definitivamente foram fundamentais para refletir sobre uma prática mais embasada de voluntariado. Na JUS (Jornada Universitária da Saúde) organizávamos ações de promoção e educação em saúde em algumas cidades carentes do Município de São Paulo. Em paralelo à JUS, a convite de uma grande amiga estudante de enfermagem na época (a Cecília!), fiz parte do grupo de fundou e coordenou o Mad Alegria, projeto de humanização em saúde mediado pela figura do clown (para saber mais basta acessar www.madalegria.org.br).

O que todos esses projetos todos me ensinaram? Aprendi na prática (e na marra) a trabalhar com gestão de tempo, uma vez que muitas vezes precisamos trabalhar com prioridades e, infelizmente, há um desafio enorme quando “doamos nosso tempo” nos dias de hoje. Doar nosso tempo muitas vezes pode significar “ganhar menos dinheiro”, nessa rotina maluca e insana que vivemos para dar conta de pagar todas as nossas contas. Aprendi a lidar com preconceitos de pessoas que não entediam e desvalorizavam nossas ações, minimizando ações voluntárias ou colocando-as em segundo plano frente à projetos rentáveis em instituições.

Onde entra a intergeracionalidade? Sempre tive muita curiosidade em estudar os efeitos benéficos da mistura de gerações. Nesse sentido, neste ano, em meus primeiros meses vivendo em outro país, decidi me voluntariar em um Hospice na Irlanda e acompanhar a rotina dos idosos de lá. Me inseri em grupo com mais de 100 voluntários, todos com tarefas bem administradas e objetivas. Alguns meses depois, ainda bem insegura com a língua, mas com muitas ideias na cabeça, resolvi colocar no papel uma ideia que desse conta de trazer à tona todas as experiências anteriores que eu havia tido do trabalho voluntário, como um desafio de vida e de perspectiva empreendedora nesse cenário de transformação. Escrevi um projeto de Intergeracionalidade entre crianças e idosos mediada pela figura do clown. A ideia principal do projeto é levar crianças de creches de Dublin para conhecerem os idosos residentes de hospices e casas de repouso, promovendo empatia e trocas de experiências intergeracionais. Para estruturar a metologia do projeto, foram noites e noites acordada, buscando um método eficaz que pudesse trazer benefício para ambas as faixas etárias. O projeto tem três etapas: A primeira delas é a organização de um workshop com as crianças das creches, que escreverão cartas aos idosos contando sobre suas rotinas, seus aprendizados e vivências. A segunda etapa é um encontro com os idosos para a elaboração de cartas para as crianças, contando um pouco da perspectiva de como é ser idoso e viver em uma instituição de longa permanência. A terceira etapa é um encontro intergeracional, mediado pela figura do clown, em que as crianças trocam as cartas com os idosos, em um ambiente lúdico e humanizado.

As burocracias para fazer este projeto entrar em vigor aqui na Irlanda são enormes (e ainda bem, uma vez que fortalecem o caráter sério que as ações voluntárias ao redor do mundo visam promover). Além da necessidade de o projeto ser aceito pelas duas instituições (creche e asilo), o preenchimento de muitos formulários e comprovações, antecedentes criminais e total responsabilidade frente a essa iniciativa, são fundamentais para que o projeto entre em vigor. Sigo à espera dos muitos aceites que ainda preciso para colocar o projeto em vigor.

A maior experiência vivida em todos esses anos de voluntariado é a conclusão de que não precisamos na verdade de grandes talentos para doar nosso tempo e energia para ajudar o outro. Basta assumir um comportamento engajado e inovador para a promoção de mudanças. Sabe todos aqueles problemas coletivos que nos queixamos e que fazemos parte? Talvez seja ele o grande “insight” que precisamos para começar a mudança.

Neste dia 9 de dezembro, dia do fonoaudiólogo, nunca me senti tão grata pela minha profissão. Fico mais grata ainda por saber que, não importa qual a profissão que tenhamos escolhido exercer nessa vida, escolher a DOAÇÃO, como forma de retornar ao mundo esse grande presente que é viver, é um dos caminhos mais desafiadores e belos.