VIAGENS

VERSALHES – DA SÉRIE EUROPA AOS 81 ANOS. Por Walkíria Gayotto

Continuamos nosso passeio pela Europa, agora na França, fomos conhecer Versalhes, que já foi um vilarejo rural e hoje é uma cidade no departamento de Yvelines, distante cerca de 20 km  da capital francesa ( meia hora de carro).

O principal atrativo turístico desta charmosa cidadezinha , é o Palácio de Versalhes e seus Jardins, que são Patrimônio da Humanidade , declarado pela Unesco há mais de 30 anos.

Este passeio exige uma boa condição física , ou que você use as facilidades que o local lhe oferece, como cadeira de rodas para visitar o interior do Palácio, e carrinhos ( tipo de golfe) para que você passeie pelos jardins , cuja extensão é enorme , porém hoje reduzida , nos tempos dos Reis Luis XIII e XIV chegou a ter mais de 800 hec.

A cadeira de rodas é gratuita, basta você solicitar aos funcionários , e também para ir aos andares superiores existem elevadores instalados na era moderna. Minha mãe preferiu esta opção, e vimos muitos outros visitantes optarem por elas. Além do que , você tem preferencia nas salas de exposição das obras de arte e e filmes explicativos.

Já os carrinhos para os Jardins, são pagos e necessitam de habilitação para guia-los. Mas existe uma opção mais barata – o trenzinho , que circula do Palácio principal até o Grand Trianon e o Petit Trianon, antigo Petit Domaine de Marie Antoinette.

È um passeio que vai lhe tomar o dia todo, caso queira conhecer com detalhes este  lugar, que foi a Côrte Francesa , e hoje é importante ícone da História. Recomendo que você chegue assim que o Palácio abrir ( 9h) , para evitar o tumulto, pois é um dos locais mais visitados nas proximidades de Paris.

Inicialmente , na época do Rei Luis XIII , o local era apenas sua cabana de caça , onde ele se refugiava para ter momentos de lazer. Foram os conselheiros de seu filho, o Rei Luis XIV,( o Rei Sol), que ainda era menor de idade, que escolheram e transformaram o lugar na Corte e sede do governo no ano de 1682 , pois procuravam um lugar seguro e afastado das doenças da capital , ( a peste), para a nova morada real.

Foi somente em 1789 que o palácio deixou de funcionar como sede oficial do poder se tornou o Museu da História da França.

È literalmente majestoso, onde podemos ver porque o povo se revoltou por passar fome enquanto seus monarcas viviam no mais puro luxo. Até hoje nos encanta nas visitas, lembrando que apenas parte dos móveis e obras de arte do lugar ainda permanecem lá, após a invasão popular, durante a Revolução Francesa.

O Palácio de Versalhes possui 2.153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque , isso são somente alguns números para você poder imaginar a grandeza do que  é conhecido como o maior Palácio do mundo.

O que ver?   -Os Grandes Aposentos do Rei e da Rainha, que possuem uma enormidade de elementos decorativos  , muita seda, muito ouro, espelhos e cristais. Quadros renomados nas paredes, cortinas de veludo , enfim, tudo que havia de mais luxuoso . Segundo a tradição o Rei deveria dormir no centro de seu domínio. Seus apartamentos estão instalados bem no meio do palácio, não sendo difícil localizar seu quarto. O apartamento do Rei dispõe de 7 salões que funcionavam como salões de Estado.

Já o grande apartamento da Rainha, mudava de decoração regularmente para satisfazer a ocupante do momento. Ele é constituído do quarto da Rainha , e salões nos quais aconteciam as conversas entre as damas da corte. Também com muito luxo.

A  lindíssima Capela , – a Capela atual foi concluída em 1710. Antes, as cerimônias religiosas eram realizadas em uma capela provisória, por 28 anos. Na Capela atual, existe um grande número de estátuas que representam os santo na parte externa , e na parte interna uma abóbada ,pintada por Antoine Coybel, com orifícios para vermos o céu , que representa “Dieu le père dans sa Gloire “(Deus Pai em sua Glória trazendo ao Mundo a promessa da Redenção) com os anjos que o acompanham. Vale uma parada para se inspirar.

A Galeria dos Espelhos, Galerie des Glaces , com 73 metros de comprimento e 357 espelhos, que defronte das janelas cria um ambiente luminoso, símbolo da grandeza do reino da França. É o lugar onde em 1919 foi assinado o Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. È o ponto alto da visita.

Louis XIV destruiu seis cômodos dos apartamentos do rei e da rainha para criar esta galeria que deveria imortalizar seu nome como Rei.

A visita aos jardins, com muitas plantas e todo tipo de árvores, uma grande quantidade de estátuas de mármore, tanques e fontes. De abril a outubro é possível assistir aos espetáculos nos quais a água das fontes se movimenta ao ritmo da música. Informe-se antes de ir.

Nos Jardins estão o Grand Trianon, um  palácio de mármore rosa , inspirado na arquitetura italiana da época, cercado de imensos canteiros de flores . Foi construído no reinado de Luís XIV. Ele também foi habitado por Maria Leszczyńska, rainha da França e esposa de Luís XV.

O Domaine , que reúne o Petit Trianon, os Jardins da Rainha , e o Hameau  ( réplica de uma pequena fazenda). Era no Domaine que Maria Antonieta se afastava da corte e vivia uma vida simples com os amigos que ela trouxe para serem seus vizinhos .O Hameau possui casas em estilo normando rústico, hortas, jardins , diversos animais, e um lindo lago.

È um passeio que muitas pessoas desconhecem e não sabem o que estão perdendo. Vale a pena perguntar especificamente sobre o Hameau.

Eu, particularmente, não sabia desse lugar na primeira visita que fiz á Versalhes. Desta vez  porém, alugamos um carro, com um guia especifico para o local, que além de nos mostrar muita coisa que eu não havia visto, contou com detalhes a história dos Jardins. Eu recomendo , que se estiver dentro de seu orçamento faça o mesmo.

O Palácio de Versalhes  e seus famosos Jardins, sem dúvida vão ficar para sempre em sua memória,  com aquela vontade de voltar e ver de novo.

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COMPORTAMENTO · VIAGENS

GIVERNY – DA SÉRIE EUROPA AOS 81 ANOS. por Walkíria Gayotto

É meus queridos, nós andamos bastante.

E fizemos o teste do que uma senhora de 81 anos consegue fazer saracoteando pela Europa em 29 dias. E não foi pouco.

Dentre todos os lugares que visitamos, com certeza Giverny ( que foi uma das imposições da minha mãe para viajar), foi o que mais se parece com o paraíso. Tudo que eu disser para descrever é pouco.

O Vilarejo de Giverny, com apenas 300 e poucos habitantes, fica na Normandia,  distante 75 km da capital, Paris ,e tem como principal atração a  casa e os jardins de Monet, local onde o pintor morou por 43 anos, entre 1883 e 1926.

Oscar Claude Monet  foi  considerado o “pai” do Impressionismo  devido ao  seu quadro “Impressão: o sol nascente” apresentado em  uma exposição realizada em 1874 no estúdio parisiense do fotógrafo Nadar, quadro que encontra-se hoje no Museu Marmottan Monet, em Paris .

Porém suas obras mais conhecidas foram justamente  as que ele pintou quando já estava morando em Giverny, e tinha como inspiração seu famoso jardim.

Monet com 15 anos já pintava retratos na vila onde morava com os pais,  mas foi somente por volta dos 40 anos de idade começou a vender seus quadros.

Ele se casou duas vezes, primeiro com  Camille  Doncieux   , com quem teve dois filhos –  Jean e Michel – , ela morreu de tuberculose. Anos mais tarde Monet viria a casar com a esposa do seu mecenas, Alice Hoschedé , após ambos ficarem viúvos , foi quando se mudou para Giverny, que era de propriedade desta.

Foi ali que ele começou sua série de pinturas inspirado nos jardins da casa. Segundo contam, por saber de sua paixão pelas flores exóticas, todos os amigos que o visitavam levavam mudas de flores de todas as partes do mundo. Além das magnificas flores o jardim também conta com uma inspiração japonesa, influência das gravuras de Hokusai , onde se vê pontes sobre pequenos lagos. Mas as majestades são as famosas nenúfares, que inspiraram  suas mais famosas obras,  as  NINFÉIAS.  Já as pinturas onde predomina o tom amarelo foram feitas quando o artista começou a apresentar  graves distúrbios de visão ( catarata), que foi se agravando até quase a cegueira.

Claude Monet morreu em Giverny, França, no dia 5 de dezembro de 1926, aos 76 anos.  Morreu rico e consagrado. Seus descendentes então conservaram a casa e os jardins, onde hoje funciona a FUNDAÇÃO CLAUDE MONET.

Principais obras de Monet: – Camille com vestido verde (1866), – Estuário do Sena (1873), – Impressão, Nascer do Sol (1872) , – Papoulas (1873) , – A caminhada (1875), – Mulher com um guarda-sol, Mme. Monet e seu filho (1875), – Montes de feno, efeitos da neve (1888 – 1889), – Campos de papoula (1890) ,- A Catedral de Rouen: o portal (1892), – Ponte sobre Hève na Vazante (1863), – A floresta em Fontainebleu (1865) , – Mulheres no Jardim (1866) , – Praia de Trouville (1870) , – Moinhos de vento em Zaandam (1871) , – Mulher com sombrinha (1875) , – Camille no traje japonês (1876), – Paisagem em Port-Villez (1883), – Navio deixando o cais de Le Havre (1868), – Nenúfares (1899) ,- Ninfeias (1899), – O molhe de Le Havre (1868), – O parlamento, efeitos da luz do Sol no nevoeiro (1900 – 1901).

Ao visitar a casa, você vai encontra-la exatamente como o casal a deixou. Inclusive o estúdio a de pintura e os vários estudos e quadros ( réplicas) feitos por Monet. De dentro da casa tem-se a visão que tanto o inspirou. Os Jardins.

Tentar descrever esses jardins é quase impossível.Com  aproximadamente um hectare, o jardim é repleto de flores dos dois lados da grande alameda central , com arcos metálicos onde as roseiras trepadeiras se espalham em meio á dálias de varias cores,  capuchinhas, tulipas, papoulas, papoulas do Oriente, junquilhos, íris, peônias, narcisos, margaridas , brincos de princesa, lavandas, sem falar dos lagos e da ponte japonesa. Só mesmo compartilhando algumas fotos com vocês

Após sua morte Monet foi enterrado no pequeno cemitério, em frente da igrejinha local, junto de suas duas esposas. De onde estão continuam podendo desfrutar da visão do seu querido jardim.

Visitando este pequeno vilarejo normando você vai se sentir num cenário de filme romântico, e além de conhecer a casa e os jardins, tem também , é lógico, uma lojinha de souvenires, onde você pode comprar vários itens estampados com as lindas obras de Monet. Em frente  à Fundação Monet,  tem uma mini galeria, onde o visitante pode tomar um lanche , ou comprar flores para levar de lembrança. Não deixe de visitar a Igreja do local. È uma construção medieval no verdadeiro estilo normando.

Eu garanto que você vai se apaixonar por Giverny.

COMPORTAMENTO · VIAGENS

MILÃO – da série “ Europa aos 81 anos” Por Walkíria Gayotto

Se você faz mesmo questão de incluir Milão em sua viagem á Itália, não cometa o mesmo erro que nós cometemos ao iniciar nossa viagem por Roma e ir subindo até Milão , que foi um dos nossos últimos destinos . Faça exatamente o contrário, comece por Milão. Ainda mais se você já não tem mais pernas boas para andar como quando tinha 18 anos , ( no nosso caso 81).

È uma cidade que tem vários lugares muito interessantes, mas particularmente, não achei uma das mais belas da Itália. Milão é o centro financeiro e comercial do país , assim como referência em história, arte, moda, design e arquitetura. Capital da Lombardia e a quinta maior cidade da União Européia. Em resumo , é uma São Paulo Italiana. Com os mesmo encantos, mas também com os mesmos problemas , transito louco, prédios  enormes e cinzentos, poluição, sujeira , filas e stress.

Mas olhe com olhos de turista e vai encontrar muitas coisas bonitas que valem a pena uma visita.

Milão é uma cidade movida pela moda. Pessoas do mundo todo vem para saber as futuras tendências de roupas, sapatos e acessórios. Caso você se interesse por moda vá andar pelo QUADRILÁTERO DA MODA , composto pelas ruas Corso di Porto Venezia, Via Montenapoleone  e Via dela Spagna.

Aproveitando essa opção que a cidade lhe oferece- compras ou moda_ , vá passear na maravilhosa GALERIA VITTORIO EMANUELLE II , uma galeria de estilo arquitetônico gótico, com arcos maravilhosos  no vão central, com cúpula de vidro, que antigamente era uma passagem entre a Praça Duomo e a Praça Scala usada pelos ricos para passear após os espetáculos do Teatro Scala. Aqui você vai encontrar as  melhores grifes do mundo e restaurantes badalados, mas prepare o bolso!

O Teatro Scala( ou La Scala), foi construído por ordem da imperatriz Maria Teresa da Áustria, para substituir o Teatro Regio Ducale, que foi totalmente destruído por um incêndio, e se chama Scala por conta da igreja de Santa Maria alla Scala que existia antes no local.  É uma das mais famosas casas de espetáculos da Europa, que apesar de ser austera por fora, tem um interior ricamente decorado. Vale muito a pena assistir uma ópera nela. Um programa inesquecível.

Outra atração obrigatória é visitar A SANTA CEIA  , ( ou A Última Ceia), de Michelangelo, que se se encontra no convento de Santa Maria delle Grazie , e ao contrário do que muitos pensam, não é um quadro e sim um afresco pintado em uma parede no interior do convento. Sua visitação é extremamente disputada, e ocorre em grupos de 25 pessoas que só tem 15 minutos  para admirar a obra . Eu recomendo que se você tem intenção de faze-lo , reserve com muita antecedência seus ingressos, pois é impossível chegar lá e compra-los na hora. Um site onde você podefazer isso é o GetYourGuide.

Um passeio de bonde pela cidade é uma diversão agradável, e vai te ajudar a se localizar melhor nessa enorme cidade, encontrando com mais facilidade os pontos de interesse turístico.

Um deles é o CASTELLO SFORSESCO, de construção medieval renascentista, foi construído como fortaleza em 1368. Posteriormente, foi transformado em um palácio ducal . A família Sforza transformou o castelo em uma das cortes mais magníficas da Itália  . Se possibel volte de noite para apreciar os efeitos da iluminação, que o deixa mais bonito ainda.

Existem vários museus no castelo bastante interessantes, e a visita inclui um percurso através de todos eles por um preço baixo. Se você não está interessado em visitar os museus, entre para conhecer o pátio central do castelo, que está aberto ao público .

Os museus do castelo :-

Museu de Arte Antiga: Entre as obras mais importantes está a Piedade Rondanini, último e inacabado trabalho de Michelangelo;Pinacoteca: composta por mais de 1.500 obras;Museu Egípcio ;Museu da Pré-história; Museu de Artes Decorativas; Museu de Instrumentos Musicais; e Museu do Móvel.

Não ficamos em Milão tempo suficiente para ver tudo, mas indico mais um passeio que não deve ser deixado de lado, o DUOMO DE MILANO ,  ( a Catedral de Milão), que levou 600 anos para ser construída , e é uma das mais belas catedrais góticas do mundo. Sua arquitetura medieval é rica em mármores e vitrais, que contam passagens bíblicas. O destaque é a estátua de São Bartolomeu, que em sinal de seu martírio , segura a própria pela nas mãos para mostrar aos cristãos. Mas atenção , não use saias curtas  e nem ombros de fora. Sua entrada não será permitida assim. Leve um lenço com vc. Caso queira subir até a torre , para ter uma visão de Milão do alto, desembolsará cerca de 15 Euros.

Milão tem seu charme, mas não como as pequenas cidades de seu entorno. Mas dá para passear e se aculturar .Caso queira dá para ir de trem até VERONA, a cidade de Julieta. Os trens são ótimos.

Uma dica imperdível :-de Milão sai um trem para a Suiça, passeio de um dia , até Lugano, a paisagem é linda e você não vai se arrepender. De Milão partem trens para todas as cidadezinhas em volta.

EU, particularmente curto mais do que esta grande irmãzona de São Paulo, mas isso é muito pessoal. O que importa é que Milão é uma das poucas cidades sem grandes escadarias que vi na Itália, e para o grupo dos “enta” já é vantagem.

Buonna Viaggio !!

COMPORTAMENTO · LIÇÃO DE VIDA · VIAGENS

FLORENÇA OU FIRENZE…(da série Europa aos 81 anos é para quem quer) por Walkíria Gayotto

FLORENÇA – ou Firenze ,( da série Europa aos 81 anos é para quem quer).

Ai que saudades do que eu achei o pedaço mais lindo da Itália , – a Toscana. E Florença é sua principal cidade.  Suas ruelas estreitas  e de pedra nos remetem a um tempo onde a vida era mais tranquila, mais gentil e bela. A cidade tem muitos encantos, que vão desde a sua paisagem e geografia até os atrativos turísticos, que são inúmeros.

E uma cidade fácil  de visitar para quem já não tem a agilidade de antes, e de todas as que visitei na Itália, foi a que mais gostei. È relativamente plana, e em um passeio  a pé você conhece muito dela. Foi a cidade onde minha mãe com seus 81 anos , andou mais e se cansou menos.

Nosso hotel era em um casarão de 800 anos, e daí vocês podem imaginar certas dificuldades, mas que, com a gentileza do gerente foram facilmente contornadas.  De inicio nosso quarto ficaria no andar superior, ( a bendita escada), mas explicando o quão cansativo seria para uma senhora idosa ( uma casa de 800 não tem elevador), o gerente nos apresentou 3 opções no térreo. O quarto escolhido era enorme , e com um detalhe que fez a diferença na escolha ,- dava para um jardim interno onde havia flores e pássaros ,para acordarmos já com muita energia.

Florença é uma das cidades europeias mais preservadas e você vai querer explorar cada lugar da capital Toscana, podendo aproveitar para tirar lindas fotos.

Como nosso hotel era localizado bem próximo a vários locais de interesse turístico, pudemos fazer muita coisa a pé, conhecendo as ruelas, becos e construções , uma mais linda que a outra, (peça um mapa no hotel).

Em se tratando de Florença, existem alguns lugares que já vem á mente, como a Basílica di Santa Maria del Fiore ou  Piazza del Duomo, (Praça da Catedral) , A Ponte Vecchio,  a Galleria degli Uffizi ,a Piazzale Michelangelo, o Mercato di San Lorenzo, Jardins Boboli , Palácio Pitti  e Palazzo Vecchio, o Museu Galileo, isso sem falar na gastronomia , nos vinhedos e nas “comprinhas”.

Nosso primeiro passeio foi um tour pela cidade toda, para vermos a quais locais queríamos dedicar mais tempo , e sugiro que façam o mesmo, pois em menos de 10 dias é impossível ver tudo. Nesse passeio fomos para a PIAZZALE MICHELANGELO , um lugar divino, no alto de uma colina, de onde se tem uma vista privilegiada de toda a cidade e do rio Arno que a corta. O fim de tarde lá foi inesquecível. No local , além de mirantes para você admirar a cidade, existem cafés, restaurantes, jardins, e lojinhas de souvenires. Foi o pôr do sol mais lindo que já vi. Imperdível.

O ponto seguinte foi a BASILICA DI SANTA MARIA DEL FIORE, – a Catedral de Florença ou Duomo de Florença. Levou séculos para ser construída e é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. O prédio é cheio de detalhes, uma obra da arte gótica que hoje é cartão-postal de Florença. Fica localizada no Centro Histórico,e em seu interior existem belos vitrais ,que nos remetem ao Velho e ao Novo Testamento. A entrada é gratuita. Este é outro local em que após a visita, vale a pena explorar seu entorno, onde tem vários cafés, gellaterias, restaurantes, exposições de artistas de rua. Sente-se com calma e desfrute .

Um passeio onde você pode visitar vários locais , por serem bem próximos  é a visita á PONTE VECCHIO,  GALERIA DEGLI UFFIZI, MUSEO DA VINCI , E GIARDINO BOBOLI, porém não conseguirá fazer tudo em um só dia.

A conhecida PONTE VECCHIO  é uma das pontes mais famosas da Europa ,e um dos principais pontos de Florença. Construída sobre o Rio Arno é de tirar o folego, com suas lojinhas de jóias( de deixar qualquer humano louco),  e sua construção diferenciada. È uma ponte semi-coberta, coisa comum na época , para aproveitar o espaço para o comércio. Em seu entorno estão diversas construções do século XVI. Além das lojas e da paisagem , muitos artistas de rua se apresentam todos os dias no local. A noite, sua iluminação refletida no Rio Arno dá um ar romântico e vários casais passeiam por ela, que como em Paris , mantem a lenda de que, se os casais prenderem um cadeado no gradil da estátua ali existente, ficarão juntos para sempre.

A pouca distancia fica a GALLERIA DEGLI UFFIZI ,( Galeria dos Ofícios), é o mais famoso museu de Florença, e uma das mais antigas galerias do mundo. È nela que se encontram obras famosas como O Nascimento de Vênus e a A Primavera de Botticelli, e  Davi, de Michelangelo . Se prepare para andar e para as filas enormes. Do lado de fora em um amplo pátio existem muitas estátuas de mestres famosos também. O passeio é lindo, mas cansativo. Vá de manhã. Bem próximo fica o Museu Galileo, um museu bem legal sobre o Galileu Galilei, mas não o visitamos.

Outro lugar gostoso de ir , é o MERCATO DI SAN LORENZO , uma rua fechada com uma feira, com várias barracas que vendem roupas, bolsas de couro e vários itens legais da Itália. Nessa mesma rua  você encontrará o Mercado Central de Florença, que é um lugar lindo e bom para comer. Sente-se um pouco e viva um tempinho como um florentino. No andar de baixo ficam várias lojas que vendem todo o tipo de especiaria e comida italiana.

E também na vizinhança, um dos jardins mais belos que vi, depois de Versalhes, IL GIARDINO DI BOBOLI , ou Jardins Boboli , que hoje é um parque dentro de Florença. Sua história é bem interessante, – o seu núcleo original data de  1550 aproximadamente, quando Luca Pitti comprou um terreno a sul do rio Arno (Oltrarno) da família Borgolo para construir um palácio ,O Palácio Pitti , que seria construído apenas quarenta anos mais tarde.  O paisagismo do jardim foi encomendado ao arquiteto dos Médici . No eixo principal do jardim existem avenidas, sebes, terraços adornados com estátuas e fontes que tornam o Boboli um autêntico museu a céu aberto, onde vários edifícios importantes ocupam parte dos jardins.  Um desses edifícios é o Anfiteatro , que foi colocada no jardim para permitir que se realizassem atuações teatrais .Outro  edifício existente  é o Casino del Cavaliere, um lugar de recreação dos Grão-Duques da Toscana e que agora abriga o Museu da Porcelana .O local está repleto de obras de arte , plantas raras, flores perfumadas. È para ficar uma tarde toda, passeando e desfrutando dessa beleza e paz. Imperdível , mas grande, preparo físico para conhecer tudo é indispensável, pois tem 45 mil m².

O PALAZZO PITTI é o maior palácio da cidade , foi construído pelo banqueiro Lucca Pitti ,sócio/rival dos Médicis. Um século após a sua construção, o Palazzo Pitti passou a ser propriedade dos Médicis . Com a extinção dos Médicis a Família Lorena passou a governar a Toscana e manteve sua residência no Palazzo Pitti. Quando Florença foi invadida por Napoleão , o Palazzo Pitti passou a ser residência de sua irmã, e na época em que Florença foi Capital da Itália foi a residência dos Savoia, até passar para o Estado . Isso demonstra sua importância na história italiana, e porque visita-lo. Suas salas são lotadas de quadros, seguindo o estilo barroco, e o teto é decorado com afrescos e estuques dourados. Lá estão obras de Rafael Sanzio, Michelangelo , Leonardo, Caravaggio, Tizziano, entre outros.  No primeiro andar do Palácio é possível visitar as salas usadas pelo segundo Rei da Itália, Umberto I e sua esposa Margherita di Savoia , com paredes revestidas de seda colorida, camas tipo dossel, quadros, vasos chineses e tapeçarias. No  térreo encontramos o museu das pratas, que também expõem objetos em marfim, ouro e pedras preciosas ,e no mezanino tem uma grande coleção de jóias da época dos Médicis até tempos atuais!

Mas a surpresa mais agradável foi FIESOLI. Descobrimos sem querer, por puro instinto de turismóloga. Quis saber o que circundava a cidade de Florença, e eis que surge esta pérola de  vilarejo. Fiesole é uma cidade de origem etrusca. Fundada no século IV a.C ,  daí podem imaginar o quanto é interessante. É uma ótima opção de passeio de um dia. Chega-se à ela com o ônibus comum, número 7, que leva cerca de 20 minutos da Praça San Marco em Firenze, até a Piazza Mino em Fiesole. O caminho até a cidade já faz valer a pena o passeio! Durante a subida você verá belíssimas paisagens da cidade e do campo! As casas, sempre em terrenos  muito grandes, tem em sua frente plantações de oliveiras. È tudo muito lindo, muito calmo, e bem conservado. Tem cerca de 14 mil habitantes, e  fica numa colina com 300m de altitude , e é esta altura que faz com que seja ainda mais linda. Lá de cima você vê Florença toda, e no percurso vai se encantar com os cantinhos desse lugar. Foi a cereja do bolo.

COMPORTAMENTO · VIAGENS

VENEZA. por Walkíria Gayotto

VENEZA – ( da série “ Europa aos 81 anos” )

E vamos continuar a maratona !  de cara eu lhes aviso:- esqueçam o mito que para Veneza um ou dois dias são suficientes. Só se você for maratonista e vai passar pela cidade literalmente correndo .  Senão, isso é mentira.

Veneza é grande, tem muitos atrativos  distantes entre si, e o deslocamento de um local para o outro demanda tempo, ou seja, é feito a pé na parte em terra , e de novo, haja pernas . Mesmo o deslocamento por  água, pelos canais , feito de taxi (aquático), vaporetto, ou as românticas gondolas, precisam  de tempo, se você quiser ver tudo que a cidade lhe oferece.

Como vocês que estão acompanhando esta série de crônicas já sabem, eu fiz esta viagem acompanhada de minha mãe, de 81 anos, que  tinha um bom  preparo físico graças ao pilates que ela faz semanalmente, e mesmo assim tivemos certa dificuldade na cidade.

Para começar você tem a opção de se hospedar na ilha ( Veneza é uma ilha, você sabe disso, claro! Na verdade são 118 pequenas ilhas que a formam), ou no continente, numa vilazinha chamada MESTRE , de onde você tem condução para a ilha com frequência ( ônibus ou trem), e com muito conforto. Caso queira também pode pegar um taxi , mas aconselho os ônibus, que são excelentes , com horário marcado , e não atrasam. Te deixam na Estação Central em Veneza, próximo aos transportes que você vai usar na ilha.

Dependendo da distancia que você quer percorrer, a diferença de preço entre as lanchas –taxi e as gondolas é mínima ( cerca de 20 Euros), e as gondolas são muito mais charmosas, além de serem os ícones de Veneza.

Existe também um serviço, semelhante aos que existem na maioria das cidades turísticas, os famosos Hop-On Hop-Off Tours, que são barcaças que fazem o passeio ao largo de toda Veneza, e onde você tem a opção e embarcar e desembarcar em qualquer ponto, pagando uma só vez, seja por um ou mais dias , mas elas não entram nos pequenos canais, só andam pelo GRAN CANALE. Mas vale a pena o passeio, porque você tem um outro ponto de vista da cidade, de fora para dentro.

Porém ,minha experiência com minha mãe me mostrou que não vale muito a pena se você tem certa dificuldade motora. As distâncias entre os pontos de parada da barcaça ( fermatas) e os atrativos é longa , cheia de escadas, subidas, e descidas, e pontes para atravessar. Prefira o Vaporetto ou os taxis.

O que vale a pena ver na ilha:-  Começando pelo ponto principal, a majestosa PIAZZA DE SAN MARCO , com uma lindíssima Basílica de mesmo nome, dotada de inúmeros detalhes artísticos .Esta é a única praça de Veneza , e data do inicio do século IX ,é também o ponto mais baixo da cidade ,por isso quando a maré sobe (acqua alta), é o primeiro local a ser inundado. As vezes a água chega á altura do joelho dos visitantes. A noite nesta Piazza é movimentada, com muitos turistas, música ao vivo, porém é proibido comer, beber, ou jogar lixo nas ruas , muito menos alimentar os pombos. Se quiser fazer isso, sente-se em algum desses maravilhosos barzinhos.

De SAN MARCO você pode ver IL CAMPANILLE , ou  O Campanário , uma torre do sino de San Marco, com 99 metros de altura. Foi construído no século XII no local de uma provável torre de visão e reconstruído na sua forma atual no início dos anos 500 com a adição de campanário no topo em forma de um cubo, em cujas faces estão representados leões (o símbolo do Evangelista São Marcos) e a representação feminina de Veneza (la Giustizia: a Justiça). No alto uma torre de sino com uma ponta aguda de cobre com a estátua do Arcanjo Gabriel, com a função de indicar a direção dos ventos, dos cinco sinos originais este continua a ser o maior.  Da loggia ( pórtico) do campanário você pode ver o belo panorama da cidade e a lagoa de Veneza de cima. Na base do campanário há a loggia ( pórtico), que Jacopo  Sansovino construiu em meados de 1500, decorando com mármore e bronze.

PALAZZO DUCAL , ou The Dodge’s Palace, foi  sede do governo de Veneza , onde morava o Dodge – (Magistrado), um belo exemplar da arquitetura gótica Veneziana, que  com o passar dos anos foi se transformando em um museu que não deve ser deixado de lado. Visite-o, pois seu interior também é surpreendente, com lagos e jardins maravilhosos, além de toda história nele contida.

A PONTE DEI SOSPIRI , ou A Ponte dos Suspiros é uma ponte característica de Veneza, situado perto da Piazza San Marco em direção da Riva degli Schiavoni, que liga o Palazzo Ducal às Prigioni Nove, que foi construído para ser uma prisão, tem esse nome porque a lenda diz que os prisioneiros quando a atravessavam suspiravam ao perceber que pela última vez veriam o mundo externo.

Veneza também é mundialmente conhecida por seu carnaval, o maior baile de máscaras do mundo. A festa teve inicio no mesmo ano em que a Basílica de San Marco foi consagrada, (1094) . Na época o Doge Vitale  Falier, descendente de uma das famílias mais ricas da cidade,  propôs á população que desfrutassem de um período de festas e brincadeiras antes da quaresma,  proposta largamente aceita, e  que trouxe consigo o costume do uso de máscaras para os foliões. Os homens usavam a BAÙTA , uma capa longa, com uma máscara  que continha apenas aberturas suficientes para enxergar e beber. As mulheres usavam a MORETTA, uma máscara preta de veludo, encaixada no rosto por um botão preso pela boca delas, o que as impedia de falar, ( já naquela  época queriam nos calar kkk). As festas aconteciam pelas ruas , como ocorrem até hoje, trazendo uma atmosfera de mistério. Caso você queira participar, basta ir para lá na época certa , que vai encontrar inúmeras lojinhas e banquinhas vendendo máscaras   e roupas de carnaval no melhor estilo veneziano. No ano de 1797, Napoleão aproveitou a queda da República de Veneza, e por medo do anonimato das máscaras, proibiu o Carnaval  , permitindo somente as festas privadas nas ilhas de Murano e Burano. Esta proibição durou até 1979. Em 2017 o carnaval aconteceu entre os dias 11 e 28 de fevereiro. Não é uma data fixa. Procure se informar antes de ir.

Outra curiosidade de Veneza , é o conhecidíssimo  personagem  CASANOVA , ( o escritor, poeta e aventureiro Giácomo Casanova), que era mestre na sedução, e aproveitava o uso de máscaras para poder seduzir, e quando a donzela era casada, fugir por entre as estreitas vielas  , dos maridos furiosos.

Se você gosta de conhecer diferentes igrejas, tem várias aqui que valem a pena  a caminhada e o sobe –desce de pontes. Perto tem a CHIESA DI SAN ZACCARIA , próxima á FONTE DELLA PIETÁ e a PONTE DELL SEPOLCRO , ambas á beira de LA LAGUNA DEI VENEZA ( canal).

Tem ainda a CHIESA DI SAN MARTINO DI CASTELLO, uma construção maravilhosa, próxima a CA’ DI DIO , hoje um hotel da rede Meliá.

Do outro lado da cidade , você pode conhecer LA CHIESA SANTA MARIA FORMOSA, PALAZZO GRIMARI ,  e CHIESA DI SAN FRANCESCO DELLA  VIGNA. Tudo isso se você quiser e precisar de tempo e calma, para ver com detalhes, não vai conseguir fazer em menos de 3 dias , e andando meio rápido ( se tiver preparo físico), por isso digo, Veneza é para no mínimo 5 dias.

Depois, atravessando a PONTE DI RIALTO ,( que antigamente era a única maneira de atravessar o Gran Canalle), que leva a outra parte da cidade, você vai ver a BASILICA DEI FIORI , onde tem o MUSEO LEONARDO. Nesta parte da cidade tem  a chamada “PONTE GRANDE”,  ou “ PONTE CALATRAVA” , ( de onde saem as barcaças do city tour), uma ponte realmente grande como diz o nome, e de edificação arquitetônica bem diferente, como tudo do Calatrava.  A ponte  tem degraus para subir até o meio, onde é reta, e depois mais degraus para descer, é uma desafio ás pernas ).

Ao lado está a estação de trem Venezia Santa Lucia,( que liga ao continente) , também caminho para  o GHETO HEBRAICO  e a CHIESA DELLA MADONNA DELL’ORTO, mas a distância é longa e com muitas “escaleras” ( escadas).

Se ainda estiver  com as pernas boas e disposição, tem muita coisa linda a ser vista. Não perca o GRAN CANALE , a CHIESA DELLA SALUTTE, do lado de uma filial do famoso Museu GUGGENHEIM , vizinho de uma escola de artes , a GALERIA DELL’ACADEMIA , onde você respira arte por todos os lados.

Um belo e interessante passeio que você pode fazer estando em Veneza é ir conhecer as pequenas ilhas vizinhas de MURANO  e BURANO, onde até hoje fabricam artesanalmente lindos cristais e bordados e rendas, respectivamente. O acesso é fácil, tanto de barcaças, vaporetto ou lanchas.

Essa idéia de que Veneza se visita em um dia ou dois é totalmente errônea , principalmente para os (as) jovens senhores(as), como minha mãe, que para atravessar a Ponte Calatrava foi um custo kkk. Foi muita caminhada, parada para descanso, parada para uma água, comer alguma coisa, caminha mais um pouco e assim vai. Porém ela cumpriu toda jornada bravamente, e adorou cada cantinho da cidade.

È uma passeio que dá para fazer , com calma, lindo lugar, vá quando o clima estiver ameno , que vocês vão adorar.

Uma curiosidade ( entre tantas) sobre Veneza:- você sabia que foi em Veneza que nasceu a primeira mulher a ter um diploma de curso superior no mundo? Em um palácio próximo ao Gran Canalle, em Rialto , existe a placa indicativa de que lá nasceu ELENA CUCREZIA CORNER PISCOPIA, que se doutorou em Filosofia em 1678 na Universidade de Pádova.

Nossa saga italiana continua nos próximos artigos. Sempre de olho na hidratação e pressão da minha mãe porque o susto de Roma foi grande.

Ainda tem muita cidade bonita para apresentar a vocês.

Vamos encarar?

Viajem, atrevam-se ! Saiam pelo mundo, que ele é lindo e enorme, e está te

esperando.

COMPORTAMENTO · VIAGENS

EUROPA AOS 81 ANOS , É PARA QUEM QUER  …                      por Walkíria Gayotto

Desta vez não vou sugerir nenhum destino á vocês , e sim compartilhar minha experiência de viagem com minha mãe á três países da Europa( ela aos 81 anos) , para que muitos que querem ir mas tem medo por conta da idade, possam ir tranquilos. Vou falar das dificuldades, mas também dar as dicas que facilitaram muito nossa viagem. Antes de mais nada, PLANEJE bem sua viagem. Veja quantos dias vai ficar em cada cidade, lembre-se de levar os remédios que vc toma, sempre um pouco a mais , para caso de perda, e leve as receitas também. Se você tiver um tempinho antes da viagem , tente aumentar seu preparo físico para andar, é muito importante , mas não fundamental. O sonho da minha mãe , que fala italiano fluentemente , (resultado de um curso para Terceira Idade que ela fez quando entrou nos 60 anos e deprimiu kk), sempre foi conhecer com detalhes a Itália. Este ano ela fez 81 anos, e eu resolvi peitar esta empreitada com ela. Confesso que com receio, mas correu tudo bem. Como tínhamos 4 meses antes do embarque, ela que já fazia pilates, redobrou o esforço nas aulas para garantir as longas caminhadas lá. Outra providencia foi fazer um check -up para ter o OK dos médicos ( cardiologista, angiologista). Tudo feito, fomos rumo ás aventuras ( e desventuras ) na Europa. Minha primeira dica para facilitar é ;-se você for fazer conexões, peça com antecedência às companhias aéreas deixarem já á espera uma cadeira de rodas, porque em determinados aeroportos as distancias são enormes para serem percorridas á pé, e ás vezes com pressa. Para nosso azar, ou sorte , não sei, nosso vôo de São Paulo para o Rio, onde embarcaríamos para Frankfurt ( conexão para Roma), atrasou quase 3 horas, com isso nosso tempo no Rio para check- in foi reduzido a zero. Graças a Deus sou da área de turismo e já sei como a coisa funciona, quando vi este atraso enorme, sabia que não daria tempo de fazer check-in, e pedi na companhia aérea, que despachasse nossas malas direto para Roma, caso contrário perderíamos o vôo. ( Isso só é possível quando você vai fazer todo o trecho na mesma companhia ou com companhias coligadas). Mas se este fosse o único problema estava ótimo ! o aeroporto do Rio é imenso, e a área de vôos nacionais é do lado oposto dos vôos internacionais. Junto com o despacho da mala já pedi a primeira cadeira de rodas para minha mãe, que de início não gostou muito da ideia, mas depois adorou.Foi a salvação ! a primeira, pois viriam outras. Chegamos em cima da hora e embarcamos. A segunda corrida foi consequência de novo de atraso no vôo. O tempo de conexão em Frankfurt para Roma é muito curto para o tamanho daquele aeroporto. Novamente me adiantei e pedi á comissária de bordo que solicitasse a cadeira de rodas para minha mãe. Junto veio um anjo da guarda , Amina, uma funcionária da empresa aérea, que além de literalmente correr, nos levou por dentro do aeroporto, onde só funcionários transitam, para dar tempo de embarcarmos para Roma . Deu tudo certo , minha mãe não se cansou, ao contrário de mim que estava quase tendo um enfarto de tanto correr. A única frustração foi ver apenas de longe o maravilhoso freeshop de Frankfurt. Corridas terminadas, tivemos um vôo tranquilo , minha mãe pode dormir a noite toda , e não se cansou . Chegada á Roma tranquila , por hora. Fomos á esteira de bagagem, e cadê nossas malas???? Aqui vem minha segunda dica:- Se você está acompanhando um idoso em uma viagem internacional, faça VOCE , uma malinha de mão com uma troca de roupa para vocês e os remédios que vai precisar , pois sua mala pode ser achada ou não. Fomos informados que nossas malas haviam se extraviado , a companhia aérea liberou um crédito de 50 euros por pessoa para compras imediatas até a mala ser achada. Terceira dica:- com uma pessoa mais velha junto, não se arrisque a tentar pegar metrô ou transportes públicos, com ou sem malas, para ir ao hotel, por mais fácil que isso pareça. Você está cuidando das malas e de outra pessoa. Facilite e contrate um transfer, que vai estar te esperando no aeroporto e te deixará na porta do seu hotel. Chegamos , compramos o que seria necessário para esperar as malas ( contando que fossem achadas, como realmente o foram). Vamos passear por Roma. Cidade linda, um museu á céu aberto, em cada canto um patrimônio histórico-cultural, mas … como uma cidade antiga e tombada, nada pode ser modificado, então elevadores e escadas rolantes não existem nos pontos turísticos. È escada mesmo. Meu conselho , vá devagar, com muita calma , no ritmo da pessoa mais velha, leve sempre água, e algum remédio para dor, pressão ou outro que possa precisar durante o dia fora do hotel. Insisto no item remédio de pressão pois passamos por esta experiência. Minha mãe resolveu fazer um lanchinho no meio da tarde, e lá não temos o nosso café com pão de queijo. A opção mais próxima disso foi mini brusquetas com café expresso ou cappuccino. Só que a bendita era de aliche, ( sal) , café forte ( sobe a pressão), e ela ainda coroou com uma coca cola ( mais uma subidinha na pressão). Resultado:- “filha, vamos sentar um pouco que não estou muito bem”! – Quase morri, mas lembrei que na Europa , os farmacêuticos são o primeiro socorro, e estão em todas as farmácias, e corri para uma com ela. A italiana quase teve um chilique quando minha mãe contou o cardápio, e gritava ” senhora, beba acqua, muita acqua! Que foi meu bordão o resto da viagem. Agora eu brinco, mas passei a viagem inteira preocupada, porque ela levou só o remédio de controle da pressão que toma á noite. O remédio para essas subidas eventuais ela achou que não seria necessário, e lá não vendem sem que você passe por uma consulta com um médico. Por sorte não foi necessário, controlamos medindo a pressão por 4 dias seguidos, e normalizou. Dica hiper importante:- nem pense em viajar sem um BOM seguro saúde, ok? Outro conselho é não se fiar no clima. Pesquisamos antes de ir e estava quente. Por sorte levamos alguma coisa para frio, mas não foi o suficiente para os outros países e tivemos que comprar roupas. Em Roma, por estar muito quente, aconselho que você faça os passeios com 

um grau maior de dificuldade de acesso ,como o Coliseu , em uma hora mais fresca .Leve um chapéu, óculos e água senhora, muita água. Se você for conhecer o Vaticano, se prepare. È muito grande, e não tem elevadores nem cadeiras de rodas, pois os caminhos são muito irregulares. È à Pé mesmo. De Roma fomos à Florença, onde não tem tantas escadas e tudo foi tranquilo. Depois Veneza , outra cidade com um pequeno grau de dificuldade para quem não tem as pernas dos 30 anos. Muitas escadas, pontes para cruzar, mas com tempo e calma dá tranquilo. De Veneza, fomos á Milão, onde também é muito fácil passear, sem escadas, com um charmoso bondinho que passeia pela cidade, vale a pena . Mais uma dica:- se você vai fazer as viagens internas de trem como eu fiz, chegue antes nas estações, e não precisa correr para embarcar. Mas o embarque para uma pessoa de 81 anos é meio complicado , por conta das malas, que lá é você quem leva e cuida dentro do trem. A Toscana é linda e dá tranquilamente para você fazer toda a região de trem. Cidadezinhas maravilhosas, como Verona, Assis, Pádua, Pisa , e lindos vinhedos também. São passeios que se você fizer um por dia, não cansa. Da Itália seguimos para a França. Aviso:_ estação Gare Du Nord é grande, cheia e complicada. Tenha calma, dá tempo de sobra para desembarcar, e não tenha pressa de pegar taxi. Todos saem correndo para a fila, se você correr também vai ficar em pé esperando sua vez. Se for com calma , a fila já terá diminuído. Paris è uma cidade plana e fácil, com exceção de Montmatre , mas mesmo lá você tem as opções de pegar o funicular para subir , e passear pelo bairro nos charmosos trenzinhos. Na maioria dos atrativos turísticos tem elevador, é só perguntar. Giverny – tranquilo, um passeio maravilhoso, sem dificuldades de locomoção, e lindo demais. Versalhes :- vá com uma empresa de turismo local, ou já contratada daqui, que facilita muito, pois as filas para entrar são enormes, e se você estiver nos grupos, eles tem entradas separadas e preferenciais. Lá você também encontra a opção da cadeira de rodas, basta solicitar. O lugar é grande, e pode cansar. De novo um dica preciosa :- no outono ,leve sempre dentro da bolsa uma malha, pois no fim da tarde esfria e não queremos ninguém gripado ou com pneumonia né? E nossa jornada chega ao fim na minha amada Inglaterra, onde o cuidado com idosos está em outro patamar. È bem mais acessível, calçadas largas, retas, elevadores e escadas rolantes em todos os lugares, ou quase. Se você for visitar a Torre de Londres e os Castelos , aí, por uma questão de tempo da construção, é impossível encontra-los , com algumas exceções, como o Castelo de Kensington , onde me surpreendi com a existência de elevadores, e de funcionários extremamente preocupados com o bem estar dos idosos. Basta solicitar ajuda. 

Ficamos um mês fora, sem nenhum imprevisto, minha mãe ao fim da viagem não se cansou, e disse que não deveria ter se preocupado em ficar fora tanto tempo, deveria ter ficado mais , isso sim. Perca o medo ,se planeje e vá tranquilo.   

CINEMA · COMPORTAMENTO · LIÇÃO DE VIDA · VIAGENS

Festival de cinema de Veneza destaca o protagonismo de personagens idosos

Pelas ruas do Lido, já se entreouve o apelido deste Festival de Veneza: “edição da terceira idade”. Após “Nossas Noites”, sobre o romance entre vizinhos idosos (Jane Fonda e Robert Redford), a mostra italiana trouxe no domingo (3) dois filmes destacando questões dessa faixa etária.”The Leisure Seeker”, de Paolo Virzì, mostra a viagem de trailer de um casal de velhinhos. E “Victoria e Abdul”, de Stephen Frears, apresenta a amizade de uma velha rainha com um súdito indiano.

Muito aplaudido na competição oficial, “The Leisure Seeker” traz Helen Mirren no papel de uma mulher que tem câncer, mas arranja forças para cuidar do marido (Donald Sutherland) com Alzheimer. Mas não é um filme depressivo: a dupla vive instantes solares numa aventura pelo sul americano. No caminho, testemunha cenas dos EUA atual, em que imigrantes tentam uma nova vida e a classe média faz passeata pró-Trump.

“Amo a personagem porque ela enfrenta o fim da vida cheia de energia”, disse Mirren a jornalistas. “E espero me manter assim até meu final.”
É o primeiro filme do italiano Virzì (“Loucas de Alegria”) nos EUA. “Há momentos em que um olhar estrangeiro é melhor para uma cultura, dá uma nova profundidade”, afirmou a atriz.
“[Para compor um painel dos EUA] Incluí Hemingway, a tradição do road movie e até a questão Trump. Se bem que esta última não está bem no mesmo nível”, disse o diretor. “Achei relevante mostrar essa América que está mudando, que os protagonistas talvez não reconheçam mais.”
A atuação de Mirren já a faz despontar como favorita à Coppa Volpi de melhor atriz. Mas ela teria em Judi Dench uma rival à altura se “Victoria e Abdul” não estivesse em Veneza fora de competição.
No longa, Dench faz sua especialidade: uma monarca britânica. A divertida comédia de Frears traz luz a um fato pouco conhecido da vida da rainha Vitória: sua complexa relação afetiva com um rapaz indiano, que a torna mais próxima de suas colônias.

A interação racial é um dos temas. “É como ‘Minha Adorável Lavanderia’, só que, em vez de Daniel Day-Lewis, temos Judi Dench”, brincou Frears, sobre seu filme de 1985.
Também com os olhos no passado, mas sem deixar de refletir sobre o presente, o francês Robert Guédiguian exibiu em competição o belo “La Villa”, em que advoga os valores de sempre: empatia e solidariedade. E inclui a questão dos refugiados na Europa.
A trama começa com uma situação-clichê: um homem à beira da morte força os três filhos a se reunirem, em um acerto de contas familiar. Mas o longa tem como foco uma vila em que, antes, se tinha um estilo de vida mais atento ao “outro”. Defende o resgate de um passado ao qual parece cada vez mais difícil retornar.
“Tendemos a achar obsoleta uma série de ideias importantes de antigamente”, disse Guédiguian. “Mas é preciso assimilá-las de modo crítico.” 

Matéria publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, 04/09/17, caderno ilustrada, por BRUNO GHETTI