COMPORTAMENTO

PENSE

A *enfermidade* é um conflito entre a personalidade e a alma.

O *resfriado* escorre quando o corpo não chora.

A *dor de garganta* entope quando não é possível comunicar as aflições.

O *estômago* arde quando as raivas não conseguem sair.

O *diabetes* invade quando a solidão dói.

O *corpo engorda* quando a insatisfação aperta.

A *dor de cabeça* deprime quando as duvidas aumentam.

O *coração* desiste quando o sentido da vida parece terminar.

A *alergia* aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As *unhas* quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O *peito aperta* quando o orgulho escraviza.

A *pressão* sobe quando o medo aprisiona.

As *neuroses* paralisam quando a “criança interna” tiraniza.

A *febre* esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os *joelhos* doem quando o orgulho não se dobra.

O *câncer* mata quando não se perdoa.

E as *dores caladas*? Como falam em nosso corpo!

*A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção*.

O *caminho* para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas *Equívocos*.

Existem semáforos chamados *Amigos*.

Luzes de precaução chamadas *Família*.

Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada *Decisão*.

Um potente motor chamado *Amor*.

Um bom seguro chamado *FÉ*.

Abundante combustível chamado *Paciência*.

Mas há um maravilhoso *Condutor* e solucionador chamado *DEUS*!!!!

*PENSE!*

***texto colocado na porta do Consultório de um Médico Homeopata, compartilhalhado por Walkíria Gayotto

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COMPORTAMENTO · VIAGENS

A descrição dos lugares por García Márquez é fruto da vida e da literatura. Por Josimar Melo

Voltando esta semana do Peru, achei de bom alvitre ler no avião um autor de língua espanhola, para fingir que conheço o idioma e não admitir meu horroroso sotaque apátrida em qualquer dos países onde pise. Socorri-me de um livro que justamente navega impressões de viajantes.Nos seus “Doze Contos Peregrinos” o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) buscava, como diz no prólogo, “escrever sobre as coisas estranhas que acontecem aos latino-americanos na Europa”.
Demorou 18 anos para concluí-los, em abril de 1992. São, na minha iletrada opinião, contos desiguais ou que pelo menos me capturaram em níveis diferentes de fruição.
Mas em todos fui dominado pela admiração diante da forma com que ele, jornalista desde os 21 anos, entregava a atmosfera dos lugares por onde perambulavam seus personagens.
Seus relatos, variando dos mais aos menos intrigantes, e curiosamente repetitivos em mais de um caso, se desfocavam enquanto detrás da narrativa ganhava o primeiro plano, com cores e vida, a descrição dos locais.Quantas vezes você já não leu relatos -técnicos e burocráticos- de lugares como Barcelona, Paris, Viena ou Genebra?

Mais quantas vezes leu que, na manhã de inverno, “os cafés e as lojas estavam iluminados como se fosse meia-noite, pois era uma terça-feira típica dos janeiros de Paris, encapotados e sujos, e com uma chuvinha tenaz que não chegava a se concretizar em neve”?
Quantas lindas descrições já leu sobre Barcelona, e que em nada se parecem com uma “tarde glacial de novembro, quando se precipitou uma tormenta súbita” diante da qual a personagem “mal teve tempo de abrigar-se nos portais de um bairro deserto que parecia outra cidade, com armazéns em ruínas e fábricas empoeiradas, e enormes furgões de carga que tornavam o estrépido da tormenta ainda mais pavoroso”?
Talvez em Vázquez Montalbán. Mas ele não deve ter falado da toscana Arezzo “num domingo de princípios de agosto, ardente e buliçoso”, em que “era difícil acreditar que naquela colina de casas empoleiradas onde mal cabiam 90 mil pessoas houvessem nascido tantos homens de gênio perdurável” -e onde o narrador jantaria “debaixo de um céu de malva com uma única estrela”.
García Márquez descreve a Roma que “depois do almoço sucumbia no torpor de agosto. O sol do meio-dia ficava imóvel no centro do céu, e no silêncio das duas da tarde só se ouvia o rumor da água, que é a voz natural de Roma. Mas lá pelas sete da noite as janelas se abriam de repente para convocar o ar fresco que começava a se mover.”
E assim ele descreve as terríveis borrascas trazidas pela tramontana na espanhola Cadaqués, o clamor de trovões escuros num mar que se bastava de sua própria luz na ilha italiana de Pantelleria, e mais tantos momentos físicos Europa afora.
Mas o melhor vem no começo. Depois de nos extasiarmos com a aguda sofisticação com que descreve as paisagens, nos transportando com tanta fidelidade àqueles momentos, lemos no prólogo (o que sempre faço no final) que não é bem assim.
Quando finalmente concluiu os contos para publicá-los, García Márquez diz que “quis comprovar a fidelidade de minhas recordações [sobre as cidades] quase vinte anos depois, e empreendi uma rápida viagem de reconhecimento a Barcelona, Genebra, Roma e Paris”.
Conclusão depois disso: “Nenhuma delas tinha nada a ver com minhas lembranças. Todas […] estavam rarefeitas por uma inversão assombrosa: as recordações reais me pareciam fantasmas da memória, enquanto as recordações falsas eram tão convincentes que haviam suplantado a realidade. De maneira que me foi impossível distinguir a linha divisória entre a desilusão e a nostalgia. Foi a solução final.”
Ele então reescreveu todos os doze contos peregrinos em oito meses, sem se preocupar mais em se perguntar onde terminava a vida e onde começava a imaginação. 
Matéria extraída do jornal Folha de São Paulo em 17/08/2017 – caderno Turismo